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19 de jul. de 2012

Te guardei quietinho no lado esquerdo do peito…

O que prevalece é esse teu cheiro grudado na minha blusa de botão de quando você me abraçou. É a permanência dessa minha saudade perturbante de um beijo que nunca aconteceu -e talvez nunca acontecerá- que me faz escrever-te mais uma de mil cartas nunca entregues. Não tenho mais de onde arrancar palavras que possam descrever a falta que teu eu me faz. Nem músicas, nem dicionário, nem textos gigantescos contém exatamente o que quero lhe dizer. Na verdade, não sei ao menos o que escrevo. Mas sei que preciso lhe escrever. Sinto uma necessidade enorme de relembrar o bem que a tua fala mansa me fazia. É uma necessidade boa de sentir, de lembrar, de apertar e grudar no meu corpo. Às vezes, sinto-me como dependente de um lápis e de algum lugar para escrever meus versos inversos e diversos do meu amor. É uma dependência boa de sentir, de ter, de acolher, de escrever. O que prevalece é essa lembrança meio embaçada dos teus lábios se contraindo até deixarem aparecer um sorriso no meio deles. Como era bom ver aqueles teus dentes meio esbranquiçados me iluminando. Cheguei até a acreditar que no teu riso havia mais brilho do que na Lua. E, por muito tempo, eu tive a plena certeza de que Sol e Lua nenhuma conseguiria iluminar o mundo todo como teu sorriso iluminava -e creio que ainda ilumina. Tua gargalhada era um dos sons mais altos e mais doces que eu já ouvi. Como era delicioso ouvir a tua gargalhada se perdendo no ar junto com a minha. Eu fazia questão de dar uma espiadinha só para ter o prazer de te ver com a boca aberta e com os olhos espremidinhos enquanto ria. Era ainda mais prazeroso quando a piada era eu quem contava. Me sentia o máximo! Ou, quando não, era o seu beijinho de despedida na minha bochecha que me fazia corar e ir para as nuvens em um, dois e três segundos. A pior parte era quando você virava as costas e ia embora. Meu Deus, que vontade eu tinha de te impedir de fazer tal ato. Que vontade incontrolável eu tinha de te deter e te implorar para que ficasse só mais um ou dois pouquinhos comigo. Porém, nunca o fiz. Infelizmente, nunca lhe disse nada disso do que estou escrevendo. Nenhuma das mil cartas escritas você já leu. E não pretendo que leia. Não tenho a intenção de te deixar abobadamente apaixonado por um alguém tão… sei lá quanto eu -se é que alguém se apaixonaria por mim. Então, eu guardo esse amor, essa saudade e essa carta. Deixo esse amor ter uma leve soneca e, de quando em quando, eu o acordo para que não tenha uma cãibra e revivo cada mínimo detalhe escrevendo-o em qualquer parte da minha vida.

Amo mais do que devia...

Só sei que amo. Amo de corpo, de alma, de coração, de mente e de razão. Às vezes amo tanto que até esqueço de mim mesma, perco o chão. Mas logo recupero-o e me ponho de pé sem perder a concentração. Amo de todo o canto do mundo. Amo daqui, dali, de cá, acolá e de outro lado e do outro também. Amo exageradamente. Amo perdidamente. Amo descontroladamente. Amo tanto que não há palavras capaz de expressar o quanto. Não sei o quanto amo. Não sei se é muito amor ou se é amor demais. Amo sem nem mesmo saber o quanto, mas sei que amo. Já amei por trinta e cinco segundos e já amei por quase um ano e meio. Já amei chorando e já amei sorrindo. Já amei amando e já amei odiando. Já amei com sol e já amei com chuva. Eu amo de várias formas, mas nunca pela metade. Não gosto de um meio-amor. Ou é amor ou é… ou não é amor! Não existe um meio termo. E se existe, eu não quero. Ou eu quero a laranja inteira ou eu não quero nada. Ou é oito ou é oitenta. Ou é amor exagerado ou é amor surrado. Eu vejo amor até mesmo sendo cega. Eu ouço o amor até mesmo sendo surda. Corro atrás do amor até mesmo sendo aleijada. Sinto amor até mesmo sem sentir. Sinto amor em todo o lugar. Sinto amor na banca de jornal, na bolsa da mulher, no banco da praça, no olhar do cachorrinho, no coração do mendigo, na asa do passarinho… Vejo amor até mesmo onde não existe amor. Eu sou capaz de enxergar amor aonde não existe ao menos um coração. Eu vejo a Lua e o Sol, o mar e a areia se amando de longe ou de perto. Tem amor em todo o lugar do mundo. Em cada canto escuro, tem uma pitada de amor. Às vezes, as pessoas não são capazes de enxergar o amor e por isso acabam acreditando que não existe amor.Deus é o amor. A natureza é o amor. A interação com a flor e a terra é o amor. Tem amor até mesmo nos lugares mais sombrios. Tem amor transbordante no meu coração, na minha alma que até sobra amor. Tem amor nos meus olhos, nos meus dedos. Eu tenho amor para dar e sobrar. Eu amo todos, menos a mim. Falta amor para mim. Falta amor para o meu eu. Dou muito amor e recebo pouco amor e eu sinto falta de amor, apesar de ter tanto amor pelos outros. E cá entre nós, amar fere. Amar maltrata demais o coração. Amar desgasta, detona. Vivo jogada pelos cantos por culpa do amor. Amo tanto os outros que esqueço de amar a mim mesma. Pessoas que não merecem nem mesmo uma pitadinha sequer do meu amor. Mas eu amo. Infelizmente, eu amo. Amo de olhos fechados ou arregalados. Eu amo independente de me amar. Não sei o quanto amo, mas sei que amo. E como amo, viu!

Ninguém...

Ninguém tem todas as respostas que precisa. Ninguém escreve pra si mesmo. Ninguém é tão forte a ponto de sofrer calado. Sempre tem um choro aqui, outro ali. Ninguém deixa uma pessoa amada partir porque quer. Simplesmente o deixa ir porque ele tem de ir. Ninguém sabe seguir os seus próprios conselhos. Ninguém sabe esquecer um alguém extremamente especial. Ninguém sabe o quanto é forte até precisar ser forte. Ninguém sabe a falta que um abraço faz até o momento que precisar de um. Ninguém morre de amor. Ninguém deixa de amar. Ou ama, ou nunca amou.

Sentes a minha falta?

Tu não sentes a minha falta? Não sentes um cadinho de falta de quando meus dedos adentravam nesse teu emaranhado de cabelos negros? Não sentes aquele aperto no teu coração de quando nós brigávamos e em menos de dois minutos já estávamos jogados na cama nos beijando? E aquele perfume do meu cabelo que tu dizias amar? Não sentes falta? Não sentes a mínima necessidade de me abraçar apertado e dizer baixinho só para o meu coração ouvir o quanto tu o amas? Ou de dizer que ele é somente teu? Lembra de quando tu vinhas me fazer cócegas e eu me remexia tentando escapar? E lembra de quando eu, sem querer, lhe dei um chute no rosto enquanto tu fazias cócegas nos meus pés? Não sentes falta de fazer cócegas em mim e me fazer rir até chorar? E não sentes falta também de quando eu lhe escrevia mil e uma cartas para esse teu eu? Ou de quando eu lhe cantava uma música? Não sentes necessidade de comer brigadeiro debaixo da coberta em um dia de inverno junto com a sua amada? Não sentes aquela falta maldita de dançar abraçado comigo debaixo do lustre da nossa sala sem nenhuma melodia? Não sentes aquele doce aconchego de deitar com outras como tu deitavas comigo? Não sentes que essas outras garotas não foram feitas para o teu bico? Não sentes um cadinho de falta dessa tua única garota que sabe de cada mínimo detalhe teu? Não sentes? Pois eu sinto. Sinto falta de cada beijo teu. Sinto falta de cada abraço apertado que tu me davas logo depois de chegar do teu trabalho. Sinto uma necessidade absurda de ir dormir ao teu lado e de sentir os teus pés quentes roçando nos meus. Sinto um buraco enorme habitando o meu lado esquerdo do peito desde que tu me deixaras. Eu sinto que só eu sinto falta. E logo, só eu irei sentir amor.

Desvencilhei-me do platônico...

De quando em quando, eu conseguia me desvencilhar desse teu emaranhado de cordas imaginárias que me prendiam a você. Mas, em alguns segundos, lá estava eu presa a você. Novamente. Como sempre. Caso você queira me chamar de dependente desse teu charme, pois então, chame. Eu não ligo. Juro que não me importaria se você afirmasse isso. Eu realmente me sinto dependente desse teu cheiro de homem elegante, homem sufocador de corações. Realmente sinto uma enorme necessidade de estar com você, de estar em você, de me vestir de você. E o pior de tudo é que só eu que amo, só eu que sinto, só eu que me desvio do amor. Somente eu que tento despistar essa coisa platônica de mim. Sou ímã de um amor nunca correspondido. Sou ímã da dor de uma fraqueza. Fraca por tentar me livrar, me soltar dessas tuas cordas que me puxam mais e mais até você e nunca conseguir. Não encontro antídoto nenhum que me faça acordar desse quase-pesadelo que a realidade me trouxe. E por que você não me ajuda? Por que não me deixa livre para voar com as minhas próprias asas, com a minha própria liberdade? Por que você faz tanta questão de me jogar na cara de que sou uma dependente de um amor platônico e idiota? A minha bagagem pesa, o meu coração pesa e a minha consciência pesa mais ainda. Porém, nada disso irá pesar mais. Vou jogar fora o que é desnecessário e o que me atrasa para fazer a minha travessia. Se você não me ajuda, pode deixar que eu me ajudo. Desvencilhei-me das tuas cordas e matei o platônico. Eu quero voar e ser livre. Não quero dependência e não quero muito menos um quase-amor.

16 de jul. de 2012

Dedicatória àquele meu protetor.

Lembro-me bem do dia em que estávamos sentados na varanda de casa olhando as estrelas brilharem. Pareciam sorrir para nós. Pareciam se exibir para os nossos olhos encantados com tanta beleza. Guardei a tua presença em uma delas. Escolhi aquela que mais brilhava, a que mais transmitia doçura e a que mais esbanjava ternura. Guardei cada palavra tua, cada gesto teu, cada mania tua. Estávamos em uma noite calorenta de Fevereiro, admirando os belos pontos brilhantes pregados naquele imenso pano negro do céu, quando a minha presença se fez oculta por um certo instante. Viajei milhas e milhas para além do horizonte azul. Ultrapassei todas as constelações de amores, rompi barreiras de orgulho, destruí imensas muralhas de egoísmo e fui parar ao lado daquela estrela. Bem longe daqui, eu encontrei a paz. Sabe-se lá o porquê de habitarmos a Terra. Mas lhe garanto, meu caro, que lá em cima é trilhões de vezes melhor do que aqui. […] Voltei com os pés no chão, com os olhos para cima e com a tua presença ao lado da minha. Não tinha ideia de que aquela noite seria a nossa última noite juntos. Certa vez, tu me disseras que veria-me crescer. Certamente, tu fostes embora antes de eu ganhar a minha independência. Não me zanguei com a tua partida e, de forma alguma, me alegrei com tal. Ninguém me avisara do modo correto para aonde tu irias. Foi uma madrugada repleta de choros miúdos e de olhares entristecidos e inconformados. Fracassei no momento em que tua música foi tocada em meus ouvidos. Deixei-me levar pelo choro e assim peguei carona com a tristeza e fui rastejando para o lado do teu caixão. Tua expressão facial era pálida. Teu sorriso havia sido levado pelos anjos da morte. A tua doçura havia sido despachada para os céus e, a tua presença havia sido levada junto. Tu me deixaras em meio de todo esse mundo espinhoso, repleto de veneno para aplicarem uns aos outros. Por que não me levaras junto? Por que tiveras de partir, meu caro? Não se lembra do dia em que me prometeras ver crescer? Não farei drama, mas meu lado sentimental é um tanto incontrolável.
Fui obrigada a compreender que todos nós um dia partiremos. Fui obrigada a aceitar que nem tudo é como queremos. Afinal, somos todos obrigados a entender a vida. Como tal desafiadora de fortalezas, a vida nos prega uma peça. Ela nos traz aquele para nos amar e, em um estalar de dedos, retira-o de nossas vidas. Mas, de forma alguma, esquecerei-me de ti. Tua presença foi gravada naquela imensa estrela brilhante, lembra? A mais brilhante, a mais doce e a mais carregada de ternura. Até hoje, em dias de lua cheia -ou de lua vazia-, é nela que eu olho. Vejo teu rosto gravado em cada canto e então, oro para que tu estejas em paz. Posso não ter a tua presença ao meu lado, mas em meu coração eu lhe garanto que a tua moradia ali se fez presente eternamente.

Te deixo dormir...

O que prevalece é esse teu cheiro grudado na minha blusa de botão de quando você me abraçou. É a permanência dessa minha saudade perturbante de um beijo que nunca aconteceu -e talvez nunca acontecerá- que me faz escrever-te mais uma de mil cartas nunca entregues. Não tenho mais de onde arrancar palavras que possam descrever a falta que teu eu me faz. Nem músicas, nem dicionário, nem textos gigantescos contém exatamente o que quero lhe dizer. Na verdade, não sei ao menos o que escrevo. Mas sei que preciso lhe escrever. Sinto uma necessidade enorme de relembrar o bem que a tua fala mansa me fazia. É uma necessidade boa de sentir, de lembrar, de apertar e grudar no meu corpo. Às vezes, sinto-me como dependente de um lápis e de algum lugar para escrever meus versos inversos e diversos do meu amor. É uma dependência boa de sentir, de ter, de acolher, de escrever. O que prevalece é essa lembrança meio embaçada dos teus lábios se contraindo até deixarem aparecer um sorriso no meio deles. Como era bom ver aqueles teus dentes meio esbranquiçados me iluminando. Cheguei até a acreditar que no teu riso havia mais brilho do que na Lua. E, por muito tempo, eu tive a plena certeza de que Sol e Lua nenhuma conseguiria iluminar o mundo todo como teu sorriso iluminava -e creio que ainda ilumina. Tua gargalhada era um dos sons mais altos e mais doces que eu já ouvi. Como era delicioso ouvir a tua gargalhada se perdendo no ar junto com a minha. Eu fazia questão de dar uma espiadinha só para ter o prazer de te ver com a boca aberta e com os olhos espremidinhos enquanto ria. Era ainda mais prazeroso quando a piada era eu quem contava. Me sentia o máximo! Ou, quando não, era o seu beijinho de despedida na minha bochecha que me fazia corar e ir para as nuvens em um, dois e três segundos. A pior parte era quando você virava as costas e ia embora. Meu Deus, que vontade eu tinha de te impedir de fazer tal ato. Que vontade incontrolável eu tinha de te deter e te implorar para que ficasse só mais um ou dois pouquinhos comigo. Porém, nunca o fiz. Infelizmente, nunca lhe disse nada disso do que estou escrevendo. Nenhuma das mil cartas escritas você já leu. E não pretendo que leia. Não tenho a intenção de te deixar abobadamente apaixonado por um alguém tão… sei lá quanto eu -se é que alguém se apaixonaria por mim. Então, eu guardo esse amor, essa saudade e essa carta. Deixo esse amor ter uma leve soneca e, de quando em quando, eu o acordo para que não tenha uma cãibra e revivo cada mínimo detalhe escrevendo-o em qualquer parte da minha vida.

9 de jul. de 2012

Só se tu quiseres.

Se tu quiseres um bom aconchego, eu te arrumo um cobertor felpudo e te ajeito do lado esquerdo da minha cama. Se tu quiseres uma caneca quente de chá, eu te preparo com o maior carinho a minha ultima embalagem de chá na minha caneca preferida. Se tu quiseres um ombro para chorar, eu te ofereço o meu ombro -meio desconfortável- para tuas doces lágrimas. Se tu quiseres uma panela de brigadeiro, eu te faço um bolo de chocolate e te lambuzo com a calda. Se tu quiseres uma mão para segurar, eu te ofereço as minhas duas mãos. Se tu quiseres um relógio novo, eu uso da minha economia deste mês para te comprar o relógio mais bonito da loja. Se tu quiseres trocar o meu filme de romance por um de tua preferência, eu assistirei junto contigo. Se tu quiseres um novo cãozinho, eu te ajudo a cuidar. Se tu quiseres um lugar quentinho para te acomodares, eu te ofereço o calor do meu corpo. Se tu quiseres um colo para deitar, eu sento do jeito mais confortável -mesmo que seja completamente desconfortável para mim- para tua cabeça encostar. Se tu quiseres colocar a minha franja atrás da orelha, ainda que eu odeie isto, eu deixarei que tu a coloques. Se tu quiseres me chamar de baixinha fracote, eu irei me zangar mas ainda assim irei sorrir. Se tu quiseres que eu busque água para ti no meio da noite, eu levantarei toda sonolenta e pegarei um copo d’água para tua boca seca. Se tu quiseres um pouco mais de ar, eu te ofereço o meu ar. Se tu quiseres te embolar no nosso cobertor no meio da noite, eu pegarei um outro cobertor para mim. Se tu quiseres o controle da tevê do outro lado da sala, eu o pegarei. Agora, se tu quiseres um outro chá, uma outra boca, um outro colo, um outro aconchego, um outro ombro, uma outra mulher, eu não poderei te oferecer nada, a não ser a porta de saída.

Odeio despedidas.

Não sou boa para lidar com finais. Eu nunca soube me despedir de alguém e sempre choro quando me dizem aquele tchau meio amargurado. Eu vivo guardando restos das pessoas aqui dentro de mim e, quanto mais eu guardo, mais eu choro. É incrivelmente dolorido você dizer adeus para um alguém que você não quer que parta. Faço aquela maior encenação para não chorar, mas depois de três minutinhos do adeus, eu corro para o meu esconderijo e borro toda a minha maquiagem. Malditas são essas despedidas! Por que é que as pessoas não podem ficar sem partir? Céus! Seria bem melhor se elas ficassem ao nosso lado para sempre. Menos aquelas pessoas chatas e irritantes, é claro. (…) Tem aquelas pessoas que sabem se despedir apropriadamente e depois de um, dois ou até três meses, elas voltam dizendo que sentiram a nossa falta. Essas sim são aquelas pessoas que dá gosto de retribuir com um “Eu também senti a sua falta.” Mas também tem aquelas que partem sem avisar, sem se despedir. Elas simplesmente saem da nossa vida. Abre a porta e vai-se embora. E o pior de tudo é que elas não voltam. Te deixam amarrotado naquele canto escuro do quarto com a saudade amarrando e espetando o coração. Sem dó nem piedade, elas não voltam. Pois então, minha querida pessoa, eu lhe digo com o menor afeto possível que, se não veio para ficar, por favor, não ouse adentrar por esta porta. Eu odeio borrar a minha maquiagem por culpa das partidas.. Eu odeio chorar por pessoas que não sabem ou não querem ficar. Então não me faça chorar, meu caro. Caso ao contrário, não se incomode com a minha extrema ignorância. 
E eu digo e repito quantas vezes for necessário: Eu não sei lidar com finais.

Mordomia de amor.

Foi uma só bofetada e pronto! Acabei com toda a sua mordomia. “Saia já dessa casa, moço! Vá-se embora você e esse seu falso amor!” E joguei com toda a minha força suas malas por escadaria abaixo. Me fiz de forte e guerreira para parecer que eu não me importava com a sua partida. E de certa forma, eu não me importava. Fiquei de plantão na frente da porta só para te ver virando a esquina. Quando virou, eu chorei. Me desmanchei em centenas de lágrimas. Não queria parecer fraca na sua frente. Eu havia me cansado de suas mentiras, mas não havia me cansado de você. Sabe, o amor é um caos. Você ama e odeia ao mesmo tempo. […] Sentei no último degrau da escadaria e refleti o que acabara de fazer. “Céus! Eu o expulsei de casa!” Não acreditei em mim mesma. Eu não poderia ter lhe dado de mão beijada para aquela vaca leiteira. Isso mesmo, vaca leiteira! Me dava náuseas olhar para aquela sua cara de pau achando que me enganava. Mas de fato, acabava me enganando. Enquanto dizia que me amava, você mandava cartas de poesias para outra. Ah, mas quanta raiva guardei de ti! E raiva de mim também por ter acreditado naquelas suas promessas ridículas. “Ai dele se me aparecer aqui novamente!” Gritei bem alto para todo o canto da casa ouvir. “Ai de mim se aceitar aquele canalha de volta!” Gritei mais uma vez, ainda mais alto. Virei as costas e fui recolher os pedaços do meu coração. Mas como dói uma despedida! Dói muito, dói demais. Em todo canto da casa, havia uma parte de um choro. Mas como dói ter que costurar novamente o coração! Usei de retalhos e mais retalhos para remendar aquele maldito órgão insignificante e burro. Tola eu de continuar chorando por um canalha. Tola eu por simplesmente ainda pensar naqueles beijos maravilhosos que me deixavam nas nuvens e… Pára! Chega! Burra, burra, burra! E mais uma vez, burra! Muito burra por achar que ele vai ficar magoado por isso. Numa hora dessas, ele deve estar correndo para os braços daquela moça da esquina. […] Enxuguei as lágrimas, subi no salto, estufei o peito, recolhi os cacos e segui em frente. Rasguei as fotos e a saudade. A partir de agora, eu sou uma nova mulher. A partir de agora, morarei somente com o meu eu. E que se dane você, o seu amor e a sua vadia. Sou uma nova mulher. Sou um novo retalho do céu. Sou independente de você, de outros e dessa droga desse teu amor! 

Uma gota do passado... um oceano de lágrimas.

Minha vida era com aquele garoto que morava longe do meu colo. Meu destino era traçado com o destino daquele rapaz de olhos cor de mel. Era o meu sonho poder tê-lo ao meu lado. Era mais do que um sonho poder beijá-lo e abraçá-lo. Passei um pouco mais de cinco meses acreditando que era ele o meu destino, o amor da minha vida. Virava noites pensando como seria o seu beijo, o seu abraço, o seu sorriso sendo meu. Chorava quase toda madrugada para tentar aliviar aquela dor que a distância me causava. Nunca adiantou chorar, mas eu acreditava que algum dia toda essa espera iria valer muito a pena. Passei meses sonhando com aquele garoto. Eu jurava para mim que eu iria aguentar toda essa distância. E eu aguentei. Aguentei tudo isso por um bom tempo, até que um dia todo o meu sonho foi por água abaixo. O meu mundo desmoronou e todos os meus sonhos e esperas foram em vão. Apesar de tudo, eu ainda acreditava que o nosso encontro poderia ser possível. Eu ainda acreditei no nosso amor, no meu amor. Eu amei por um, chorei por um e senti por um. Eu ainda sentia todo aquele amor aumentando no meu peito. Chorei por mais de meses por ainda acreditar naquele amor recíproco do mês cinco. Mas, tudo fora em vão. Desde minhas lágrimas até minhas esperas, fora tudo em vão. As madrugadas com os olhos arregalados, os choros baixinhos, os pensamentos altos, os sonhos mútuos… tudo fora em vão. Sofri por um amor tão doído que me furou o peito e atravessou o coração. Todos me perguntavam o por quê dos olhos caídos e das olheiras profundas e, como sempre, eu respondia com um “É somente o sono.” Não era sono. Era amor. Era um amor que me destruíra as esperanças. Foi um amor que durou por bastante tempo. Não compensava explicar o por quê das minhas olheiras, pois ninguém me compreenderia. […] Eu ligava o rádio para sentir novamente aquele amor me amargando a boca. E sentia. Cada letrinha que voava pela caixa de som, me trazia uma lembrança de nós. Tudo era motivo para eu me lembrar de você. Tudo sempre foi motivo para pensar em você. […] 
Depois de muito choro baixo, muita lágrima ácida, muita madrugada virada de ponta cabeça, eu, enfim, consegui me desligar desse amor. E, por um momento, cheguei a acreditar que eu havia te esquecido. Engano meu. Contudo, sem querer voltar no tempo mais uma vez, eu segui a minha vida com meus passo longos e rápidos. Tropecei trocentas vezes e fui de cara na dor. Mas, por um feliz engano, eu tropecei em algo maravilhoso. Eu tropecei em algo mágico que me fez acreditar de novo no amor, na felicidade. Eu cai na frente daquele outro moço que me compreendia até na alma. Eu vi naqueles imensos olhos negros um amor que eu jamais poderia ter. E eu acreditei. Eu acreditei em mim, no amor e naquele rapaz. Dessa vez, eu não mergulhei tão profundamente. Fiquei na borda esperando o sinal verde. E quando o sinal esverdeou, eu fui com alma e com o coração. Acreditei, amei, chorei, briguei, acreditei de novo e desconfiei. Senti um ciume que jamais havia sentido. Naquele rapaz de olhos negros, eu vi aquele que me deixara com a boca amarga de amor. De repente, o tempo ficara escuro e meus olhos começaram a lacrimejar. Meu Deus, quem eu estava vendo? O moço de longe do meu colo ou o moço de olhos negros? Foi uma só confusão de sentimentos que me deixara jogada naquele chão gelado. Eu vi, mais uma vez, aquele amor passado. Eu chorei, mais uma vez, por aquele pretérito que não voltava. Doía o peito, a alma, o coração, a mente e a razão. Em cada canto que eu olhei, eu vi o meu primeiro destino. Em cada calçada que eu passei, eu via o seu adeus. Céus! Eu não fui capaz de esquecer aquele que me magoara. Eu nunca deixei de pensar naqueles beijos tão desejados. Aquele amor não havia sumido. Apenas fora deslocado do centro das minhas atenções por alguns meses. Ele voltara. Com mais intensidade ainda, todo aquele amor voltara. Como uma flecha de espinhos, toda aquela dor atravessara o meu coração pela milésima vez. Por que, meu Deus? Por que esse rapaz mexe tanto comigo? Por que esse amor tem que ficar escancarado no meu peito? Por que, meu Deus? Por que? Eu amei aqueles olhos de mel que eu nunca vi. Eu amei aquele beijo que eu nunca provei. Eu amei aquele abraço que eu nunca experimentei. Eu amei. A cada segundo, eu amei intensamente. Era amor, foi amor e para sempre será amor. Mas ninguém precisa saber. Ele, o rapaz de olhos cor de mel, não precisa saber. Então eu guardo, silenciosamente, esse amor que grita em meu peito. Eu guardo, cuidadosamente, o gosto nunca provado do teu beijo e vou viver. Vou vivendo sem medo de amar. Vou vivendo com aquele rapaz de olhos imensamente negros e sorriso no rosto e, em um canto qualquer da casa, do coração, eu te guardo amavelmente para toda a eternidade.
Dá até um certo medo quando as coisas começam a dar certo demais. A gente fica feliz demais, acredita demais, sonha demais, sorri demais e, no fim, sempre acaba se arrependendo demais. Tudo o que é demais apavora e tudo o que é de menos é insuficiente. Confesso que nessas horas eu gosto de um meio-termo.

Palavras.

Nas linhas turvas do desespero, escrevo-te esta carta de palavras miúdas e trêmulas. Escrevo-te meus versos borrados com uma poça de sentimentos malucos. Engraçadas são as palavras que teimam em fugir do meu alcance. E cá estou eu, sem ideias nem palavras. Escrevendo o que vem à tona. Escrevo-te uma carta sem começo, meio, fim e coerência. Mas sinto que, quero dizer-te algo. Sinto que meu coração clama, grita, esgoela, explode de tanto amor. Sinto que palavras não são o suficiente para demonstrar-te meu amor. Preciso dizer-te que, quero-te, preciso-te, respiro-te, piro-te, amo-te, inspiro amor. Mas as palavras… bom, essas fogem do meu alcance. Dão passos longos, remam contra minha correnteza de versos, abraçam árvores, escalam até o topo e por lá elas ficam, dando-me um breve adeus. (…) De mãos abanando, cá estou eu sem ideias nem palavras. Não sei se amo-te ou se amo as palavras por descreverem meu amor. Porém, a imensa desvantagem é que elas abandonam-me e vão morar em outras linhas, em outros versos. Então eu amo você. Eu amo-te perdidamente, mas peço-te, amor, que não queira morar em outras linhas, em outros versos. Não me abandone não. More nas minhas linhas, nos meus versos, no meu coração. Não queira arranjar uma outra escrita. De fugitivas já me bastam as palavras.

Eu gosto...

Eu gosto de quem fala baixo e de quem ri e sorri com a alma. Eu gosto de gente simples e humilde. Gosto de um abraço apertado e de um olhar sincero. Eu gosto daquele cheirinho de roupa limpa e de coisa nova. Eu gosto daquele friozinho que congela os pés. Eu gosto da simplicidade de uma pessoa e da sua tamanha bondade. Eu gosto de um leite quente quando a brisa congela o sol. Eu gosto de animais e me apaixono por flores. Eu gosto de um brigadeiro no meio da tarde e de um beijo no meio da noite. Eu gosto de música que acalma a alma e gosto de escrever o que vem à tona. Eu gosto de sorriso e de beijo. Eu gosto de moletom grande e de uma coberta de lã. Eu gosto do entrelaçar dos dedos e do encontro de corações. Eu gosto de casamento. Eu gosto de assunto interessante no meio de um momento tenso. Eu gosto de palavras bonitas e sofisticadas. Gosto também de quem as usam corretamente. Eu gosto de pessoas sinceras e gosto de pinturas abstratas. Eu gosto da beleza de uma casinha simples e gosto daquele olhar pedinte do cachorrinho. Eu gosto de um “eu te amo” ao pé do ouvido e gosto de um momento de amor no meio duma tarde corrida. Eu gosto de fazer o meu show debaixo do chuveiro e gosto de ouvir a chuva enquanto me deito. Eu gosto do inesperado. Eu gosto da aventura. Eu gosto do desajeitado e gosto também da desventura. Eu gosto do que tenho. Eu gosto também daquilo o que não tenho. Eu gosto do que não posso ter e do que nunca sonhei em ter. Eu gosto de sentir. Eu gosto de ouvir. Eu gosto de falar. Eu gosto de brincar. Eu gosto de ver. Eu gosto de viver. Eu gosto de tudo, e gosto principalmente de você.

Uma perda...

Por que dói tanto uma perda? Por que nós nos apegamos tanto às coisas e às pessoas? Não poderia ser tudo na medida certa, sem apegos e desapegos e choros? Todo mundo poderia ser feliz sem viver chorando por uma perda por culpa do apego à ela. Mas não, nós sempre nos apegamos ao extremo. Daí, quando as pessoas ou animais ou coisas vão embora, nós choramos. Choramos por dias, meses, anos. Acordamos com os olhos inchados, com o vazio no peito, com o desânimo no ser e com a falta no coração. Dói muito sentir parte do seu coração sendo arrancado com as mãos. E essa dor não é destinada só às pessoas. Essa dor vem também da perda daquele animalzinho de estimação. Ah, mas como dói saber que ele não vai voltar. Como me perfura o coração saber que ele está em um sono muito profundo sem nem poder abrir mais os olhos. Como me dói lembrar daquela carinha carente de carinho. Como dói me lembrar de tudo. Daí, nós choramos um oceano de lágrimas para tentar aliviar aquela dor, mas não alivia. Não alivia de forma alguma. Mas depois de alguns meses, essa dor vai ficando silenciosa e nós vamos vivendo pra esquecer toda essa perda. A vida vai seguindo e essa dor vai se deslocando do centro das atenções. Mas ela não some. Ela continua ali, quietinha no cantinho da casa. E vezes por outras, ela dá um cutucão forte na gente e uma lágrima escorre. A dor não some, mas a vida continua.

Amor surrado.

Virei as costas e fui embora. Não quis saber da sua explicaçãozinha barata. E você ali, jogado no chão duro me implorando para voltar. Mas eu não voltei. Segui em frente, fechei os olhos, concentrei o choro pra dentro de mim e não olhei para trás. Foram tantas mentiras acumuladas até que um momento eu explodi. Não quero mais notícias suas. Não quero mais aquela sua cara lavada me olhando fundo nos olhos e ainda tendo a coragem de mentir. Eu não quero mais saber de você. Pra mim já chega. Não vou mais correr atrás de você, não vou mais te lembrar, não vou mais chorar, não vou mais te amar. Ou pelo menos vou tentar. Pensa que eu não sei das suas fugas? Pensa que eu não sei quando você mentia para mim e logo em seguida venha com um buque de flores com aquela cara de moço carente? Pensa que eu não sei que isso tudo era uma de suas jogadas trapaceiras? Pensa que eu não sei o quão hipócrita você é? Você realmente acredita que conseguiu me enganar por completo? Pois é, e conseguiu. Por hora, mas conseguiu. Fui jogada direitinho naquela tua lábia de moço malandro. Não suspeitava de absolutamente nada e me entreguei de corpo e alma. Você jogou comigo, me usou e depois me jogou para a sarjeta para ir atrás daquela outra garota de saia curtinha. Um canalha você! Um canalha por ter estraçalhado cada partezinha do meu coração. Um imenso idiota por ter deixado uma dama jogada para os cantos da calçada. Mas agora já chega! É a minha vez de jogar. Arregacei minhas mangas, joguei o cabelo para trás, taquei fora o coração e tirei minha carta coringa de dentro do bolso. É a sua vez de ser jogado para os cantos. É a sua vez de tomar do seu próprio veneno. E isso não é uma vingança. Não, não, não é vingança não. Pois foi você que fez isso consigo mesmo. Agora aguenta. Passe pelo o que eu passei e sinta a dor que eu senti. Aprenda que nunca se deve deixar uma dama de lado. Aprenda que a hipocrisia não te traz nada de bom, garoto. Tome do seu próprio veneno e sinta o gosto amargo de um amor surrado.

Vem que eu sou teu bem.

Então vem cá. Vem aqui do meu lado e fica mexendo no meu cabelo. Chega pertinho e me esquenta quando o frio estiver por perto. Me beija docemente quando o sol começar a nascer e teus olhos começarem a se abrir. Me proteja quando algo me deixar com medo. Amenize minhas dores com a tua doçura. Vem aqui do meu ladinho ver o sol nascer e se pôr. Vem aqui pertinho e olhe comigo aquele arco-íris de cores de asas de borboleta. Serei tua amiga, serei teu bem e teu neném. Me ajude a bagunçar a nossa cama. Brigue comigo para assistir um programa de TV. Então vem, amor. Vem e seja meu. Vem e me ame. Vem, me abraça forte e não solta nunca mais. Vem que eu sou o teu bem.

Pouco amor, falta. Muito amor, é excesso.

Hoje eu olhei para o céu e lembrei-me do teu olhar azul cor-de-mar. Jurava que havia visto teus lindos e imensos olhos pregados naquele gigantesco pano azul do céu recobrindo toda a multidão. Por um momento, eu cheguei a acreditar que você ainda estava ali do meu lado, deitado naquela grama de um esverdeado claro mirando o raiar do sol sobre nossas cabeças. Mas não estava. Já havia um tempo em que você partira e não se importava mais se eu estava bem, se eu estava sentindo saudades, ou se eu estava simplesmente suportando toda essa angústia apertando o meu coração. Você nunca mais ligou, nunca mais me desejou boa noite via SMS, nunca mais me olhou fundo nos olhos e disse que sentia saudades. Você nunca mais quis saber se eu estava viva ou completamente morta por dentro. Eu juro que tentei parar de me importar com você. Eu juro pelo meu grandioso Deus que eu tentei me desprender pelo menos um pouco de você. Em vão. Eu nunca, jamais, em hipótese alguma deixei de pensar em você por um segundo sequer. Eu desejei, por um pequeno instante, ter uma bela de uma amnésia, mas me arrependi de tal pensamento em fração de segundos. Eu jamais quisera esquecer aqueles nossos momentos únicos e inteiramente perfeitos. Eu jamais quisera esquecer o sabor doce do teu beijo amargo. Contudo, era o meu sonho esquecer toda aquela dor me amarrando, arremessando e amassando o meu lado esquerdo do peito. Era um sufoco viver com toda aquela minha sensação de estar sendo deixada de lado. Era - e ainda é - uma tortura deitar naquela grama onde fazíamos nosso piquenique de final de semana sem ter a sua presença ao meu lado. Hoje à noite, o céu está coberto com um imenso pano inteiramente negro com miúdos pontinhos brilhantes pairando por todo canto. Neste exato momento, estou com os olhos fixos em uma das estrelas. A mais brilhante; a maior de todas. Sim, para belezas desse tipo eu sou extremamente gulosa. Se eu pudesse, correria até essa estrela, pegaria ela e a daria para você só para combinar com o intenso brilho dos teu olhos. Mas que olhos? Que brilho? Teus olhos já não brilhavam como quando você me olhava do outro lado da rua. Teus olhos já não eram mais meus e tua pupila não dilatava mais como antes. Mais uma vez, estou eu aqui, recordando-me de um alguém que não lembra ao menos do meu nome. E mais uma vez, as lágrimas transbordam pelos meus olhos encharcados de saudade dos teus -olhos- que deslizam subitamente pelo meu rosto e pousam fortemente nesta folha -ou linhas, como você preferir-. Agora há uma poça d’água exatamente em cima da palavra “coração”. Ironia? Vai saber! Sei apenas que meu coração não está muito diferente dessa situação. E, pela milésima vez como nas páginas anteriores deste caderno, despeço-me dessas linhas quase imperceptíveis e tento colocar um ponto final em toda essa história, em todo esse meu sentimento. Por martelar tanto e sempre na mesma tecla com a escrita “burra”, tornei-me resto de um amor extremamente excessivo; resto de uma saudade excessiva; resto de uma paixão excessiva; resto de um eu excessivo.a
Hoje eu acordei 
Prestes a viver. 
Eu vesti minha fantasia
De “eu estou bem,
Eu estou de bem com a vida”
E fui ouvir os pássaros conversarem
E os cachorros miarem. 
Eu vi nuvens roxas, azuis e verdes
Eu vi flores com estampas listradas
Eu senti a brisa navegar no meu corpo
E ouvi o buli gritar de calor. 
Eu ouvi um carro silencioso
E vi o ar mudando de cor.
Eu segurei a Lua no colo
E nos meus braços fiz o Sol dormir.
Hoje, você me chamou de meu amor 
E eu te chamei de meu bem.
Hoje, a minha loucura acordou de bom humor
E eu me livrei do que me retém.
E hoje eu fiz
O triste ficar feliz;
A tristeza virar sorriso;
O choro virar um riso. 

E hoje eu fiz
O sol nascer de giz;
O adulto virar criança; 
O desânimo virar esperança.

E hoje eu fiz
Do machucado uma cicatriz;
Do analfabeto um escritor;
Da dor um verdadeiro amor.

Só dessa vez...

Dessa vez eu não vou esquecer o buli no fogo. Dessa vez eu não vou esquecer do bolo no fogão. Dessa vez eu não vou esquecer de trancar a porta de casa quando sair. Dessa vez eu não vou esquecer de dar comida para o gato e para o cachorrinho. Dessa vez eu não vou esquecer de arrumar a minha cama e não vou esquecer de colocar o meu ursinho em cima dela. Dessa vez eu não vou esquecer meu horário marcado no médico e não vou esquecer de passar mais tarde na casa da minha mãe. Dessa vez eu não vou esquecer de apertar o botão de ligar quando eu for assistir algum filme. Dessa vez eu não vou esquecer qual a rima correta para aquele poema estranho. Dessa vez eu não vou esquecer do que me magoou no sábado passado. Dessa vez eu não vou esquecer de pregar na porta da minha geladeira “desapegue-se”. Dessa vez eu não vou esquecer de ouvir a razão ao invés do coração. Dessa vez eu vou fazer a coisa certa e não vou cair na sua lábia mais uma vez. Dessa vez eu vou aprender a me dar mais valor. Dessa vez eu vou esquecer de quem me esquece e vou lembrar mais de mim.

Renovando-me.

Eu não sou mais o que fui ontem. Hoje eu estou renovada, vívida. A luz do sol me deu mais forças para viver e para acreditar em quem eu sou de verdade. Agora os pássaros cantam mais alegremente e meu coração bate mais levemente. Hoje o dia me proporcionou uma imensa luz para viver e, sem medo, para acreditar nos meus sonhos. Não vai ser um pesadelo ou um medo banal que vai me impedir de acreditar no que eu sonho ser ou no que penso que um dia serei. Hoje eu posso pular amarelinha, brincar de pique-esconde e ciranda-cirandinha. Hoje eu estou de-bem-com-a-vida-e-de-bem-comigo. Eu não sou e não quero ser mais aquela pessoa depressiva do dia anterior. Hoje eu sou cor, flor e vida.

Livrei-me do peso

Tratei de enterrar a minha preguiça debaixo do tapete, esconder a minha solidão no armário, trancar o desânimo em uma jaula e acordei para viver. Coloquei um vestido florido cor-de-felicidade e um chapéu cor de hoje-eu-estou-de-bem-com-a-vida. Desliguei o telefone, o celular, a TV, a luz, a tristeza e o choro. Liguei o meu toca-discos com a minha musica predileta e deixei o som entrar na alma. Dancei com o vento e com as palavras que esvoaçavam pelo ar. Fechei os olhos e o coração. Deixei a doçura das palavras invadirem meu ser e esqueci em um estalar de dedos de todo o resto do mundo. Naquela noite só éramos eu, a música e só. Não havia coração acelerado, pupilas dilatadas, choros baixos, poemas rasgados e pensamentos altos. Eu estava em paz e flutuando. Hoje eu acordei pronta para viver. Eu esqueci de quem me esquece dentro do guarda-roupa, troquei quem me troca feito roupa, e esqueci da ideia de quem me trata como louca. Eu resolvi matar também aqueles que me matam na vida deles. Se eu sou ou não louca, então que seja. Eu sou feliz, eu sou eu, eu sou dança, vento, poesia, poeta, dispoeta ou, simplesmente, um alguém que gosta de se sentir viva. Hoje eu fiz um limpa na minha lista de quem merece a minha palavra. A ideia é essa: desocupar lugar para que haja espaço na casa e no coração para pessoas com boa intenção. Não gosto dessa ideia maluca de chegar sem bater na porta e ir pegando tudo na minha casa. Pega comida, pega refrigerante, pega o controle da TV, pega o meu lugar no sofá, pega a minha mão, pega o meu coração e assim faz a festa. Mas hoje eu desocupei um imenso lugar no coração que mobílias velhas ali estavam e abri uma nova porta para aqueles que quiserem vir com um chocolate quente e uma flor na mão. E cá entre nós, foi melhor assim: agora eu estou leve e dançando junto com a música e com as palavras. O coração está leve e a solidão está se debatendo dentro do armário, mas eu não vou abri-lo. Hoje eu tô leve e livre. Isto que é liberdade, meu caro: livre-se do que pesa na bagagem.

Eu chorei, pela milésima vez.

E hoje eu chorei. Mais uma vez, eu chorei por lembrar do que fomos e não somos mais e talvez nunca mais seremos. Eu chorei por saber que não estamos mais juntos e que o nosso sentimento diminuiu. Eu chorei por lembrar das nossas conversas e risadas que nos prendiam até altas horas da noite. Eu chorei por saber que você vivia bem sem mim e eu sem você. Eu chorei por saber que um outro alguém tem o seu sorriso, e esse alguém não sou eu, obviamente. Eu chorei por ter deixado o meu sonho, a minha esperança ir por ralo abaixo junto com o nosso intenso romance das duas da madrugada. Eu chorei por ter apagado o seu número da minha agenda de contatos, por ter deixado outra boca me beijar ao invés da tua, por ter permitido que um novo amor aflorasse em mim. Eu chorei por ter lembrado dos seus maravilhosos olhos verdes que nunca se fixaram nos meus. Eu chorei litros por ter esquecido do quanto o nosso amor era forte a ponto de suportar isso tudo. Eu chorei por ter escrito mil cartas e não ter entregue nenhuma delas. Eu chorei pelo dia frio e pela falta do teu calor em volta de mim. Eu chorei quando peguei suas roupas e senti o seu cheiro de homem elegante. Eu chorei por ver as plantas tão murchas como o nosso amor. Eu chorei, pela milésima vez, por você não ser mais meu e nem eu ser mais sua.

Reticências...

É complicado dizer adeus à uma pessoa quando, na verdade, nós não queremos que ela vá embora. Para ser mais sincera, eu nunca disse adeus à esse tipo de gente, até porque eu nunca quis que partissem. Sempre deixo um vazio ocupando o lugar do adeus. Nunca me forcei a me despedir de um alguém que eu realmente quisesse que voltasse. Eu deixo a porta, a janela e o portão aberto caso alguém queira voltar. 
Eu nunca soube colocar um ponto final onde deveria existir um fim. Sempre completo a frase com ponto e vírgula, ou dois pontos e um exemplo, ou aspas, e até mesmo com reticências. Na página do livro onde deveria haver um ponto final no último parágrafo da folha, eu acrescento uma vírgula e continuo a minha história sem nem mesmo deixar que ela termine. Sou tão estupidamente insistente que não sei ao menos virar uma página e começar uma nova história. Sempre vivo naquele mesmo conto em que a garotinha certinha se dá mal e nunca desisto de tentar até conseguir dar um final em que ela realmente se dê bem. Mas sempre fracasso nessa minha tentativa. Viro páginas e mais páginas acrescentando mais e mais palavras sem que a história termine. É ingenuidade a minha querer dar continuação à uma história que já tem o seu fim escrito com letras douradas, eu sei. Mas afinal, quando não se quer que acabe uma história, nós voltamos e relemos ela mais umas trocentas vezes só para ter aquele gostinho do presente de novo. E é exatamente nesse ponto onde as coisas começam a machucar ainda mais. No começo da história, era tudo maravilha; no próximo capítulo, as coisas começam a esquentar e esfriar ao mesmo tempo; no próximo do próximo capítulo, existem armas e armadilhas que nos machucam cada vez que lemos. Mas não nos importamos com isso. Na verdade, até que nos importamos, mas a curiosidade e a dor é tanta que não nos aguentamos e relemos mais umas quinhentas vezes aquele capítulo para ter o gosto de poder xingar novamente aquele protagonista inútil que acabou com todo o amor. 
Até um certo ponto, as vírgulas se encaixam perfeitamente nas frases e não permitem que tenha um fim. Contudo, chega uma hora que já não se tem mais espaço na folha -e no coração- e devemos virar a página e começar um novo capítulo ou uma nova história. Mas não, pois em todo o lugar que deveria existir um ponto final… eu acrescento mais dois pontos e prefiro a reticências -mesmo que não haja mais espaço na folha.

5 de jul. de 2012

Excelentíssimo ex-amor...

E por um milésimo de tempo, eu desejei não ter te conhecido. Por uma questão de segundos ou até mesmo minutos, eu desejei que nada disso tivesse acontecido. Desejei não ter recebido tua sms naquela noite, desejei que os meus pensamentos ficassem focados em outra coisa ou pessoa; desejei que a lua não tivesse tanto brilho assim. Por muito tempo, eu imaginei como seria não ter te conhecido e nem ao menos ouvido falar de você. Eu quis jogar todas aquelas cartas e lágrimas no lixo. Quis rasgar uma por uma e quis não ter implorado pela tua presença ao meu lado com lágrimas me escorrendo pela face. Pedi inúmeras vezes que você saísse ao menos por algum tempo da minha mente e do meu coração; que me deixasse em paz comigo mesma. E por um momento eu cheguei a acreditar que, enfim, estava só. Somente comigo. Mas na realidade, eu nunca estive só. Sua presença, o esboço da sua figura retardada sempre permaneceu ao meu lado. Me provocando, me colocando contra seu peito nu e me fazendo ouvir seu coração disparar repentinamente. Custou muito da minha boa vontade livrar-me desse teu cheiro hipnotizante de homem galanteador. Se é do teu interesse saber, eu nunca fui tão hipnotizada por um cheiro doce e escandaloso como o teu. Nunca tive braços tão aconchegantes como os teus ao redor do meu corpo aflorando um maldito sentimento. Ah, mas se eu não tivesse respondido à sua sms, nada disso teria acontecido. Por um grande momento, eu desejei ter uma crise de perda de memória recente. Extramente recente. Ou nem tanto. Desejei desesperadamente nunca ter visto teus olhos verdes procurando os meus castanhos. Contudo, teus olhos, teu corpo, teu calor insistiram em encontrar o meu corpo. E encontraram. Confesso, meu excelentíssimo amado, que apesar dos pesares, nada disso fora tão ruim quanto eu pensei. Me fez crescer, excelentíssimo. Aprendi a me levantar quando a areia movediça me puxa para dentro dela. Levei inúmeros tombos e levantei mais umas trocentas vezes ainda mais disposta a lutar. Teu quase-amor me fez crescer. E, por um milésimo de segundo, eu percebi que se não tivesse te conhecido, nenhum quase-amor teria feito-me crescer como o teu fez. E, mais uma vez, quase me arrependi por ter te conhecido, meu quase-excelentíssimo-ex-amado.

Arrependimento de fingir-me...

Ele assentiu com a cabeça e virou a esquina bem devagar. Não era para ele concordar com o meu surto de mulher esotericamente apaixonada-estressada. Não era para ele aceitar de nenhuma maneira o fato de eu estar farta da sua presença. Não, não era nada verdade. Eu queria, como num filme de romance, que ele fizesse eu engolir cada maldita palavrinha dita com um grandioso beijo. A cada sílaba que caia da minha boca como chuva, eu cruzava os dedos ainda mais forte torcendo para que ele não acreditasse nessas sílabas e palavras e frases. Uma mão de aço me agarrou o pescoço e me deixou inteiramente sufocada. Eu quis correr, chorar, desabar, desabafar e gritar “É tudo mentira! Eu o amo mais do que a mim mesma. Eu sou uma burra, tonta, idiota…” e ser calada com um beijo. Mas não o fiz. Deixei que as palavras tomassem um rumo próprio e fossem em direção à quem elas queriam. E foram diretamente em direção a ele. Suas lágrimas escorreram lentamente pelo o resto da sua face e o meu coração me sufocou ainda mais. Como doeu ver a pessoa que eu amava derramando lágrimas que por sinal não eram de felicidade. Eu quis retroceder, aperta o botão de restart e refazer aquela cena de novo, e de novo, e de novo… Eu quis não ter dito nenhuma daquelas bobagens e ter o levado para o meu apartamento depois do nosso encontro no restaurante do outro lado da cidade. Entraríamos nos beijando, tiraríamos desesperadamente nossas roupas e nossas mãos estariam incontrolavelmente apalpando tudo o que sentiam pela frente. Sua boca beijaria meu corpo todo e descendo… descendo… Chegaríamos ao ponto em que tudo começou: na cama de uma manhã de verão. Porém, nada disso aconteceu por culpa da minha atitude extremamente banal por ter atirado nele toda a minha raiva. Eu vi as suas costas curvadas de perfil quando ele virou a esquina com a cabeça baixa e com um soluço de choro de criança. Eu quis ir atrás dele e dizer que estava louca, pirada, que eu o amo e que ele deveria, neste exato momento, me perdoar por ser tão estérica. Mas não fui. Fiquei parada, imóvel e esperando que meu corpo me puxasse de volta para o apartamento de onde eu não deveria ter saído. Deixei ele ir, virar a esquina até não poder ouvir mais nenhum soluço de moço abalado. Baixei minha cabeça e subi até o segundo andar do meu apartamento. Me atirei na cama, fechei os olhos e continuei a ouvir o grito do silêncio me deprimindo: Você o perdeu…