-->

31 de ago. de 2012

Sonhos em mim.

Eu quero a metade do céu e o brilho das estrelas no meu olhar. Quero aprender amar e perdoar. Quero fazer-me e fazer-te feliz. Eu quero rimar sem precisar me magoar e quero inspiração em qualquer lugar. Quero aprender a voar sem nem mesmo sonhar. Eu quero a laranja inteira e um beijo na chuva. Eu quero capturar o arco-íris e pintar meus sonhos com todas as suas cores. Eu quero nuvem no café-da-manhã e um balde de felicidade como café-da-tarde. Quero bem-me-quer-e-sempre-me-quis e quero deixar o mal-me-quer debaixo do armário. Eu quero que o meu sorriso amarelado contagie todos os outros e quero alegrar corações cansados de nada. Quero uma história com começo, meio e sem fim. Quero a felicidade como a minha alma gêmea. E quero todos os sonhos colados em mim.

Alma Infantil.

Chega uma hora em que tudo cansa, tudo perde o brilho, a beleza. As coisas começam a ficar sem graça e os olhos já não brilham mais como quando a criança vê o brinquedo novo. As pessoas já não têm mais aquelas piadas que nos dói o abdômen de tanto rir. O que antes era considerado por você o melhor e mais bonito texto do mundo, hoje você já tem decorado as linhas de cor e salteado. Amarelinha e pique-esconde perderam a graça porque já não se tem mais onde se esconder e nem onde pular. Chega uma hora em que até o caminho de ir para casa é enjoativo. Não se tem mais direção e nem rumo. Não sei se vou pra lá, pra cá ou se fico aqui. Não sei nem se devo seguir. Os brinquedos estragados e desbotados foram esquecidos de serem trocados por novos brinquedos. Aqueles livros que você havia lido quatrilhões de vezes e ainda assim não se cansava deles, hoje já não tem mais graça de ler uma história que você já conhece. Chegou a hora em que tudo perde a graça e o brilho. Chegou a hora em que o meu gosto fica ranzinza. Tudo acaba sendo velho demais para uma alma que permanece infantil.

E dá vontade
de comer
um dicionário inteirinho
só para ver
se a gente consegue,
de alguma forma,
entender a nós mesmos.

Se caio, sempre dou um jeito de levantar.

Sou toda desestrada. Por todo canto onde eu passo, sempre tem uma pedra no caminho que me faz tropeçar. Meu desastre é totalmente incontestável e inexplicável e inevitável. Ando, tropeço, ando, tropeço, tropeço, caio. Levanto. Sempre levanto. Posso cair quantas vezes for necessário, pois no fundo do meu poço tem uma mola que me faz voltar sempre de pé.

Parei de me importar com os outros.

Parei de dizer aos outros quando não estou bem. Parei de esperar um abraço daqueles que demonstravam se importar comigo. Cancelei todas as minhas sessões de desabafo com o meu diário e passei a engolir toda aquela tristeza que me impedia de sorrir. Eu vivia me pendurando naquele fio que era o meu sorriso. Sempre pensei que quando alguém perguntasse o que havia acontecido, realmente era do seu interesse saber o meu estado. Mas não era. Perguntavam somente pela força do hábito ou mesmo por educação. Cancelei todos os finais de semana que eu saia com os amigos para poder passar um tempo a mais comigo mesma. Resolvi me importar comigo. Resolvi ser um pouco mais egoísta. Afinal, quem realmente se importa se estou bem ou não?

Deixa em qualquer lugar...

Deixa de lado, em cima, embaixo, abaixo, ao lado, atrás. Deixa embaixo do tapete, em cima do armário, atrás da estante. Esquece em algum lugar. Esquece tudo aquilo que te trava o riso. Se livra do que não acrescenta nada de bom na sua vida.

Trajetória.

Há algum tempo atrás, ao saberem que eu viria, um sorriso passou a habitar frequentemente o rosto de vocês. Foram se passando um, dois, três, quatro, cinco meses e essa espera não acabava nunca. Eu já tinha um nome, um quarto, uma caminha, algumas roupas e até uma fraldinha. Seis e sete meses e o meu tamanho estava deixando a sua barriga cada vez maior. Você me alimentava, me fazia carinho através da sua barriga, tomava cuidado para não ser desastrada e me amava antes mesmo da minha chegada ao mundo. Eu podia ouvir bem distante uma conversa baixa de vocês dois discutindo sobre qual seria a minha comida favorita, se eu preferia banana amassada ou se me agradava mais o leite da mamadeira do que o leite do peito. Oito meses e você já não se aguentava mais de tão inchada e desengonçada que estava. Papai já estava cansado dos seus desejos malucos que o faziam levantar tarde da noite para ir realizar o seu desejo de comida (será que eu realmente poderia nascer com cara de morango?). Oito meses e meio e só mais um pouquinho. Só mais alguns dias até a minha chegada ao mundo. Eu já tinha o meu berço, o meu carrinho, o meu aviso de bebê à bordo no vidro detrás do carro, a minha mamadeira e principalmente a minha chupeta. Os olhos de vocês brilhavam a cada dia que vocês acordavam e lembravam que eu estava prestes a chegar. Alguns dias depois e os nove meses se completaram. Pronto, a primeira contração chegou. Eu vou nascer! Tome cuidado! Mais duas e três contrações até que finalmente a luz se esbarrou contra meus olhos. Chorei e chorei. E vocês também choraram a minha volta. Tudo perfeito; tudo nos conformes. (…) Quando completei um aninho de vida, vocês quiseram fazer uma festa para comemorar o meu primeiro e inesquecível aniversário. Eu não sabia cantar o parabéns e me assustava com tantas palmas e caras radiantes sorrindo para mim. Dois, três, quatro, cinco, seis, sete anos e etc. Eu ficava mais inteligente, mais hábil, mais alto, mais falante e mais mal criado. Queria tomar minhas próprias decisões, ter as minhas próprias regras e não queria saber de nada além de brincar e fazer o que me dava na cabeça. Dez anos e eu já estava prestes a ir para a quarta série. Só tirava notas boas, não dava trabalho para acordar e não me importava de arrumar a minha própria cama. O tempo foi passando e eu fui me esquecendo de arrumar a cama e o quarto. Vocês ficavam bravos e diziam que além de ser todo desmanzelado, eu não comia o que devia comer. Aos onze, doze, treze e quatorze anos eu já sabia responder rispidamente e sabia brigar ainda mais. Vocês ficavam abalados e diziam que não era essa a educação que tinham me dado. Eu não me importava tanto. Sempre me achei na razão de dizer o que tinha e pensava que tinha que dizer. Tudo girava ao meu redor (ou eu achava que tinha de ser assim). Ninguém podia pegar as minhas coisas, ninguém podia mexer nas minhas coisas e o que era meu, literalmente era meu. Aos quinze e na puberdade as coisas iam piorando. Nada dava certo. Nada era ao meu favor. Todos eram contra mim. Queria ir embora; fugir para bem longe. Arrumava a minha mala, pegava o que tinha de pegar, respirava fundo e hesitava quando abria a porta de casa que dava para a calçada. Nunca tive coragem o suficiente para abandonar aqueles que nunca me abandonaram nem quando eu dei o maior trabalho do mundo. (…) Ao verem chorando, eu chorava junto. É como se metade do meu coração estivesse se afogando em lágrimas. É como se o sangue que passava pelas minhas veias estivesse interligado com o sangue de vocês dois. Se vocês se cansam, eu me canso também. Se sentem dor, me dói também. Se vocês choram, eu choro também. (…) Os assuntos sobre sexualidade e namoro despejam de dentro de suas bocas como chuva despeja gotas das nuvens. “Eu sei me cuidar; eu tenho responsabilidade; eu sei o que faço”. Na verdade eu nunca soube o que fazer. Sempre fui tão dependente de vocês assim como um lápis é dependente de um apontador. Quando eu perdia a minha ponta, vocês me “concertavam” e me colocavam para funcionar outra vez. E eu sempre tão mal agradecido e tão egoísta nunca me lembrei de dizer o quanto os amava. Vocês que sempre me mimavam, sempre me ensinavam, sempre me seguravam quando eu ameaçava cair, me deram tantas oportunidades para dizer o quanto eu os amava. Passaram-se três anos depois do meu aniversário de quinze e vocês se prepararam para partir deste mundo. Deixaram comigo todo o aprendizado e a experiência de vocês. Me alertaram para não me deixar cair na onda dos outros. Fiquei somente com a riqueza moral e espiritual. Vocês partiram juntos e me deixaram aqui nesse mundo infernal. Não consegui abrir os olhos para a realidade. Não sabia como dizer o quanto os amava. Não sabia como agradecer e como me desculpar por tanto coisa que fiz e não fiz. Queria ter dito no dia das mães o quanto você era importante para mim, que minha vida sem você não faria o mínimo de sentido, que o seu ar era o meu ar. Eu queria ter dito no dia dos pais o quanto eu me orgulhava por você ser o meu herói favorito, o quanto eu enchia a boca de orgulho quando dizia aos meus amigos que o meu pai era o melhor pai do mundo. Ou nem precisava ser em uma data específica. Tive tempo o suficiente para lhes dizer o quanto os amava (e ainda amo). Mas o tempo já se foi. Tudo se foi. As minhas oportunidades morreram junto com vocês. Os meus perdões e os meus agradecimentos foram enterrados junto com vocês dois. Tudo acabou. Tudo se foi. Me encontro agora com dezoito anos, com olheiras de tanto chorar nas noites extremamente frias, com barba por fazer e cansado das pessoas. Queria um colo. Queria dois colos. Queria o colo de vocês. Queria voltar no tempo só para poder ouvir novamente os conselhos de vocês e segui-los todos corretamente. Queria não os ter decepcionado. Queria ter feito melhor. Queria ter sido melhor. Eu queria poder dizer o quanto a vida está monótona, cansativa sem nenhum dos dois do meu lado. Queria poder contar a vocês sobre a menina que conheci na porta da escola. Ela é linda e acho que estou apaixonado. Eu ainda sou virgem e não tenho aquele fogo para perder a virgindade como quando eu tinha quatorze ou quinze anos. Quero me casar e ter filhos. Dois filhos. Queria que vocês pudessem conhecer eles. Eu queria, na verdade, ter feito tudo diferente. Se aquela moça não tivesse esquecido de pegar o seu óculos dentro de casa; se aquele táxi tivesse pego o passageiro um pouco mais cedo; se aquele bebê não tivesse chamado a atenção do motorista do táxi, vocês não teriam sido atropelados pelo mesmo. A moça teria entrado no táxi já com o seu óculos, o passageiro teria sido pego no horário marcado, o bebê teria chamado atenção do motorista do táxi e vocês teriam atravessado a rua depois do táxi passar. Por causa de um simples acontecimento, agora eu estou fazendo o que tenho feito há três anos: escrever uma carta que nunca chegará ao seu destino correto. Os olhos dos meus pais.

Já fui de tudo, mas nunca deixei de ser eu para ser outra pessoa.

Já fui calma, agitada, estressada, desastrada. Já fui perturbada, estranha, paciente, completamente impaciente. Já fui a garota mais legal do colégio, a garota mais desastrada dentre os primos, a garota mais respondona dentre os parentes. Já fui tempestade e calmaria ao mesmo tempo. Já fui metade Sol e metade Lua em plena tarde de primavera. Já fui dor, amor, paixão, obsessão. Já fui insistente, desistente, contente. Já fui flor com espinho e sem mel. Já fui abelha sem ferrão e escorpião que se mata querendo ir para o céu. Já fui ladra de sonhos, livros, histórias, palavras (isso eu sempre sou). Já fui mentirosa, já fui camuflada, já fui escondida, já fui amarrada. Já bati em alguém mas também apanhei. Já fui muitas coisas ao mesmo tempo. Já fui de tudo, mas nunca deixei de ser eu para ser outra pessoa.

Simplesmente se foi...

Já não me encanta mais todo aquele seu jeito charmoso. A saudade de você já não me perturba mais. Tudo o que antes me prendia a você, hoje anda livre por ai. Em uns tempos atrás, o medo não me deixava livre. Me sentia culpada por querer esquecer. Hoje, já não sinto nem mais a sua falta. Você permanece com aquele jeito de moço bonito, alto, galanteador. Mas isso não me afeta. Nenhum pouco. Acho que eu descobri alguma forma de me desvencilhar de algo que me feria. Não restou nada de nós. A magia se perdeu, o amor envelheceu e tudo o que era bonito, simplesmente morreu.

Eu julgo e tu julgas.


Você diz que o outro é falso mas você comete uma falsidade quando ninguém está vendo.
Você diz que o outro é muito gordo mas quando você se olha no espelho, se julga como um(a).
Você diz que as pessoas são estranhas mas você dança no meio da rua mesmo não tendo música alguma tocando.
Você diz que ama frio mas se protege quando ele chega.
Você diz que aquela outra pessoa fala mal pelas costas mas você mesmo está falando pelas costas dela no momento em que comenta isso.
Você se diz completamente humilde mas perde a humildade logo quando se julga como tal.
Você diz que aquele outro é impaciente mas você perde a paciência logo depois de dizer isso.
Você diz que os outros falam muito alto mas você manda-os ficarem quietos gritando.
Você diz que uma pessoa não consegue fazer tal coisa mas você não conseguiu fazer a mesma coisa logo de primeira.
Você diz que todo mundo julga, mas não observa que você acaba de julgá-los também.

Talvez...

Talvez esse meu quase-amor prevaleça. Talvez não. Talvez se apague com um tempo da memória. Talvez as linhas fiquem fracas e comecem a se perder do contorno escuro da sua imagem e, aos poucos, toda esse restinho de dor desapareça junto. Talvez eu te lembre a cada manhã, tarde e noite. Talvez eu ainda precise do seu calor nas madrugadas frias. Ou precise do seu beijo para me fazer ficar quieta quando eu não consigo. Talvez as coisas se endireitem e a tempestade acabe para dar espaço para um arco-íris. Talvez o dia permaneça nublado só ameaçando a chover. Talvez chova mesmo com o Sol pairando sob as casas e suas janelas. Talvez eu não queira lembrar do que tivemos. Talvez eu não queira te esquecer. Às vezes luto contra minhas vontades e razões para não deixar-te ir embora da minha memória. Outras, luto para deixar-te fora do meu alcance. Talvez, algum dia, tudo isso passe e eu te esqueça por completo. Ou talvez, eu te lembre todo santo dia.

Se eu te gosto, te gosto exatamente assim, sem modificações.

Eu prefiro mais aqueles que sabem ouvir com os ouvidos e com os olhos. Prefiro aqueles que sabem amar com a alma e com o coração. Aqueles que realmente sabem amar. Eu gosto de quem dá um bom dia sem nem mesmo conhecer a outra pessoa. Gosto de quem esconde a sua dor só para cuidar da dor do outro. Eu gosto de quem sabe valorizar a vida, que não despreza um acontecimento importante. Eu prefiro aqueles que não usam um sorriso como um escudo mas sim como felicidade. Gosto bem mais daqueles que se importam de verdade. Gosto também daqueles que nunca desistem. Pode ser quase impossível de se conseguir, mas nunca deixam de tentar umas mil vezes. Eu gosto de alguns tipos de pessoas. Gosto principalmente de quem é o que realmente é. Eu gosto das pessoas exatamente como elas são.

A poesia que encantava...

Ela andava sempre com o rosto baixo, olhando para o chão, fitando as próprias mãos. Não encarava ninguém; não erguia a cabeça para nada. Vivia tropeçando nos próprios pés, nas próprias palavras. Se olhasse fundo os olhos de uma pessoa, poderia ver a falsidade transbordando pelos mesmos. Dizia ela que se olhasse na direção dos olhos do outro, pegaria a falsidade alheia em tamanho redobrado. Fitava o chão, as próprias mãos, os próprios trava-línguas. Não gostava de pessoas e muito menos das suas mentiras. Evitava então, ser contagiada por expressões que não existiam ou por frases nas quais fora ocultada toda a verdade. Gostava mesmo era da flor, da poesia, do poetizador. Erguia a cabeça somente para toda e qualquer beleza natural que não lhe escondia a verdade. Beijava, cheirada e falava sem medo de ser enganada. Lamentava pela miséria humana. Mas não ligava. O que lhe importava mesmo era a poesia que no papel a encantava.

Egoísta.

Eu vou me desligar desse mundo. Vou puxar a tomada que me liga a toda e qualquer coisa que me prende a essa espécie de pessoa que sou. Vou abrir a porta e ver o que está acontecendo lá fora. Vou dar uma ultima espiada por entre a realidade e vou dizer adeus a esse mundo. Quero aprender mais sobre mim. Quero descobrir quem sou, de onde vim e para onde vou. Resolvi ser uma exploradora do meu próprio eu. Vou mergulhar no meu interior e vou sair de lá somente quando eu conseguir alguma resposta sobre tudo. Se eu me entender, quem sabe eu não possa começar a fazer a coisa certa daqui para frente.

Tudo que ela queria...

Agachava quando queria chorar e se deixava levar por toda aquela tristeza. Sentia-se culpada por deixá-lo ir mas não confessava o quanto o queria por perto. Escrevia mil e uma cartas frente e verso. Nunca entregou nenhuma delas. Tinha medo das coisas não serem como ela planejava mentalmente. Tinha medo das suas esperanças e o restinho de felicidade que ainda lhe sobrava irem por água abaixo. Na frente dele, ela era rocha, concreto. Por detrás dos seus olhos, ela era flor que se desabrochava com um sorriso. Nunca lhe recusou amor e favor nenhum. Nunca havia se entregado tão intensamente como desta vez. Queria ela poder acreditar que não era um amor singular. Não valia a pena insistir naquele que lhe deixara de mãos e coração abanando. Não valia o mínimo de esforço colocar a sua mão no fogo por aquele que não lhe entregara um só botão de rosa. Não dizia isso para ninguém, mas escrevia na esperança de um auto-consolo. Escrevia para si mesma, para seus próprios olhos e coração. Escrevia para poder ter uma prova do quanto fora tola em amar unicamente. Mas não ligava. Era amor e sempre fora amor. Não se arrependia de nada, mas chorava por ter perdido o que considerava tudo. Então ela chorava na esperança de que o seu choro o trouxesse de volta.

15 de ago. de 2012

O nosso quase amor morreu.

Já não me encanta mais todo aquele seu jeito charmoso. A saudade de você já não me perturba mais. Tudo o que antes me prendia, hoje anda livre por ai. Em uns tempos atrás, o medo não me deixava livre. Me sentia culpada por querer te esquecer. Hoje, já não sinto nem mais a sua falta. Você permanece com aquele jeito de moço bonito, alto, galanteador. Mas isso não me afeta. Nenhum pouco. Acho que eu descobri alguma forma de me desvencilhar de algo que me feria. Não restou nada de nós. A magia se perdeu, o amor envelheceu e tudo o que era bonito, simplesmente morreu.

Já fui tudo...

Já fui calma, agitada, estressada, desastrada. Já fui perturbada, estranha, paciente, completamente impaciente. Já fui a garota mais legal do colégio, a garota mais desastrada dentre os primos, a garota mais respondona dentre os parentes. Já fui tempestade e calmaria ao mesmo tempo. Já fui metade Sol e metade Lua em plena tarde de primavera. Já fui dor, amor, paixão, obsessão. Já fui insistente, desistente, contente. Já fui flor com espinho e sem mel. Já fui abelha sem ferrão e escorpião que se mata querendo ir para o céu. Já fui ladra de sonhos, livros, histórias, palavras (isso eu sempre sou). Já fui mentirosa, já fui camuflada, já fui escondida, já fui amarrada. Já bati em alguém mas também apanhei. Já fui muitas coisas ao mesmo tempo. Já fui de tudo, mas nunca deixei de ser eu para ser outra pessoa.

Simplesmente parei.

Parei de dizer aos outros quando não estou bem. Parei de esperar um abraço daqueles que demonstravam se importar comigo. Cancelei todas as minhas sessões de desabafo com o meu diário e passei a engolir toda aquela tristeza que me impedia de sorrir. Eu vivia me pendurando naquele fio que era o meu sorriso. Sempre pensei que quando alguém perguntasse o que havia acontecido, realmente era do seu interesse saber o meu estado. Mas não era. Perguntavam somente pela força do hábito ou mesmo por educação. Cancelei todos os finais de semana que eu saia com os amigos para poder passar um tempo a mais comigo mesma. Resolvi me importar comigo. Resolvi ser um pouco mais egoísta. Afinal, quem realmente se importa se estou bem ou não?