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16 de jul. de 2012

Dedicatória àquele meu protetor.

Lembro-me bem do dia em que estávamos sentados na varanda de casa olhando as estrelas brilharem. Pareciam sorrir para nós. Pareciam se exibir para os nossos olhos encantados com tanta beleza. Guardei a tua presença em uma delas. Escolhi aquela que mais brilhava, a que mais transmitia doçura e a que mais esbanjava ternura. Guardei cada palavra tua, cada gesto teu, cada mania tua. Estávamos em uma noite calorenta de Fevereiro, admirando os belos pontos brilhantes pregados naquele imenso pano negro do céu, quando a minha presença se fez oculta por um certo instante. Viajei milhas e milhas para além do horizonte azul. Ultrapassei todas as constelações de amores, rompi barreiras de orgulho, destruí imensas muralhas de egoísmo e fui parar ao lado daquela estrela. Bem longe daqui, eu encontrei a paz. Sabe-se lá o porquê de habitarmos a Terra. Mas lhe garanto, meu caro, que lá em cima é trilhões de vezes melhor do que aqui. […] Voltei com os pés no chão, com os olhos para cima e com a tua presença ao lado da minha. Não tinha ideia de que aquela noite seria a nossa última noite juntos. Certa vez, tu me disseras que veria-me crescer. Certamente, tu fostes embora antes de eu ganhar a minha independência. Não me zanguei com a tua partida e, de forma alguma, me alegrei com tal. Ninguém me avisara do modo correto para aonde tu irias. Foi uma madrugada repleta de choros miúdos e de olhares entristecidos e inconformados. Fracassei no momento em que tua música foi tocada em meus ouvidos. Deixei-me levar pelo choro e assim peguei carona com a tristeza e fui rastejando para o lado do teu caixão. Tua expressão facial era pálida. Teu sorriso havia sido levado pelos anjos da morte. A tua doçura havia sido despachada para os céus e, a tua presença havia sido levada junto. Tu me deixaras em meio de todo esse mundo espinhoso, repleto de veneno para aplicarem uns aos outros. Por que não me levaras junto? Por que tiveras de partir, meu caro? Não se lembra do dia em que me prometeras ver crescer? Não farei drama, mas meu lado sentimental é um tanto incontrolável.
Fui obrigada a compreender que todos nós um dia partiremos. Fui obrigada a aceitar que nem tudo é como queremos. Afinal, somos todos obrigados a entender a vida. Como tal desafiadora de fortalezas, a vida nos prega uma peça. Ela nos traz aquele para nos amar e, em um estalar de dedos, retira-o de nossas vidas. Mas, de forma alguma, esquecerei-me de ti. Tua presença foi gravada naquela imensa estrela brilhante, lembra? A mais brilhante, a mais doce e a mais carregada de ternura. Até hoje, em dias de lua cheia -ou de lua vazia-, é nela que eu olho. Vejo teu rosto gravado em cada canto e então, oro para que tu estejas em paz. Posso não ter a tua presença ao meu lado, mas em meu coração eu lhe garanto que a tua moradia ali se fez presente eternamente.

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