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9 de jul. de 2012

Palavras.

Nas linhas turvas do desespero, escrevo-te esta carta de palavras miúdas e trêmulas. Escrevo-te meus versos borrados com uma poça de sentimentos malucos. Engraçadas são as palavras que teimam em fugir do meu alcance. E cá estou eu, sem ideias nem palavras. Escrevendo o que vem à tona. Escrevo-te uma carta sem começo, meio, fim e coerência. Mas sinto que, quero dizer-te algo. Sinto que meu coração clama, grita, esgoela, explode de tanto amor. Sinto que palavras não são o suficiente para demonstrar-te meu amor. Preciso dizer-te que, quero-te, preciso-te, respiro-te, piro-te, amo-te, inspiro amor. Mas as palavras… bom, essas fogem do meu alcance. Dão passos longos, remam contra minha correnteza de versos, abraçam árvores, escalam até o topo e por lá elas ficam, dando-me um breve adeus. (…) De mãos abanando, cá estou eu sem ideias nem palavras. Não sei se amo-te ou se amo as palavras por descreverem meu amor. Porém, a imensa desvantagem é que elas abandonam-me e vão morar em outras linhas, em outros versos. Então eu amo você. Eu amo-te perdidamente, mas peço-te, amor, que não queira morar em outras linhas, em outros versos. Não me abandone não. More nas minhas linhas, nos meus versos, no meu coração. Não queira arranjar uma outra escrita. De fugitivas já me bastam as palavras.

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