16 de jul. de 2012
Te deixo dormir...
O que prevalece é esse teu cheiro grudado na minha blusa de botão de quando você me abraçou. É a permanência dessa minha saudade perturbante de um beijo que nunca aconteceu -e talvez nunca acontecerá- que me faz escrever-te mais uma de mil cartas nunca entregues. Não tenho mais de onde arrancar palavras que possam descrever a falta que teu eu me faz. Nem músicas, nem dicionário, nem textos gigantescos contém exatamente o que quero lhe dizer. Na verdade, não sei ao menos o que escrevo. Mas sei que preciso lhe escrever. Sinto uma necessidade enorme de relembrar o bem que a tua fala mansa me fazia. É uma necessidade boa de sentir, de lembrar, de apertar e grudar no meu corpo. Às vezes, sinto-me como dependente de um lápis e de algum lugar para escrever meus versos inversos e diversos do meu amor. É uma dependência boa de sentir, de ter, de acolher, de escrever. O que prevalece é essa lembrança meio embaçada dos teus lábios se contraindo até deixarem aparecer um sorriso no meio deles. Como era bom ver aqueles teus dentes meio esbranquiçados me iluminando. Cheguei até a acreditar que no teu riso havia mais brilho do que na Lua. E, por muito tempo, eu tive a plena certeza de que Sol e Lua nenhuma conseguiria iluminar o mundo todo como teu sorriso iluminava -e creio que ainda ilumina. Tua gargalhada era um dos sons mais altos e mais doces que eu já ouvi. Como era delicioso ouvir a tua gargalhada se perdendo no ar junto com a minha. Eu fazia questão de dar uma espiadinha só para ter o prazer de te ver com a boca aberta e com os olhos espremidinhos enquanto ria. Era ainda mais prazeroso quando a piada era eu quem contava. Me sentia o máximo! Ou, quando não, era o seu beijinho de despedida na minha bochecha que me fazia corar e ir para as nuvens em um, dois e três segundos. A pior parte era quando você virava as costas e ia embora. Meu Deus, que vontade eu tinha de te impedir de fazer tal ato. Que vontade incontrolável eu tinha de te deter e te implorar para que ficasse só mais um ou dois pouquinhos comigo. Porém, nunca o fiz. Infelizmente, nunca lhe disse nada disso do que estou escrevendo. Nenhuma das mil cartas escritas você já leu. E não pretendo que leia. Não tenho a intenção de te deixar abobadamente apaixonado por um alguém tão… sei lá quanto eu -se é que alguém se apaixonaria por mim. Então, eu guardo esse amor, essa saudade e essa carta. Deixo esse amor ter uma leve soneca e, de quando em quando, eu o acordo para que não tenha uma cãibra e revivo cada mínimo detalhe escrevendo-o em qualquer parte da minha vida.
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