Que cor que o riso tem?
E o amor? Tem cor também?
E uma lágrima? Tem gosto de quê?
Mas na verdade, ela serve pra quê?
Pra chorar sem nem mesmo saber o por quê?
Ou nada disso tem a ver?
Será que tudo nessa vida tem cor?
Será que tudo ofusca assim como o amor?
10 de out. de 2012
Eu gosto de tudo, e gosto principalmente de você.
Eu gosto de quem fala baixo e de quem ri e sorri com a alma. Eu gosto de gente simples e humilde. Gosto de um abraço apertado e de um olhar sincero. Eu gosto daquele cheirinho de roupa limpa e de coisa nova. Eu gosto daquele friozinho que congela os pés. Eu gosto da simplicidade de uma pessoa e da sua tamanha bondade. Eu gosto de um leite quente quando a brisa congela o sol. Eu gosto de animais e me apaixono por flores. Eu gosto de um brigadeiro no meio da tarde e de um beijo no meio da noite. Eu gosto de música que acalma a alma e gosto de escrever o que vem a tona. Eu gosto de sorriso e de beijo. Eu gosto de moletom grande e de uma coberta de lã. Eu gosto do entrelaçar dos dedos e do encontro de corações. Eu gosto de casamento. Eu gosto de assunto interessante no meio de um momento tenso. Eu gosto de palavras bonitas e sofisticadas. Gosto também de quem as usam corretamente. Eu gosto de pessoas sinceras e gosto de pinturas abstratas. Eu gosto da beleza de uma casinha simples e gosto daquele olhar pedinte do cachorrinho. Eu gosto de um “eu te amo” ao pé do ouvido e gosto de um momento de amor no meio duma tarde corrida.Eu gosto de fazer o meu show debaixo do chuveiro e gosto de ouvir a chuva enquanto me deito. Eu gosto do inesperado. Eu gosto da aventura. Eu gosto do desajeitado e gosto também da desventura. Eu gosto do que tenho. Eu gosto também daquilo o que não tenho. Eu gosto do que não posso ter e do que nunca sonhei em ter. Eu gosto de sentir. Eu gosto de ouvir. Eu gosto de falar. Eu gosto de brincar. Eu gosto de ver. Eu gosto de viver. Eu gosto de tudo, e gosto principalmente de você.
Maldito ciclo!
Essa ânsia que a gente tem de amar destrói qualquer um. Sempre temos essa mania estranha de querer amar achando que estamos sendo correspondidos. Me arrependo amargamente de um dia ter acreditado que o amor curava corações. Que nada! Amor só destrói com o coração e com a mente. Mas nós, cabeças duras, nunca ouvimos a razão. Enquanto ela, a razão, está ali quietinha no canto da casa cochichando para não irmos em direção ao amor, o maldito do coração dá um grito tão alto que a nossa direção se perde da trilha correta e acabamos por bater contra o amor. Amamos muito, nos apaixonamos muito, nos iludimos muito e continuamos o mesmo ciclo por mais uns cinco, seis meses. Ou até por anos. E esse ciclo vai passando de geração em geração até o mundo todo saber disso. Olha, eu lamento muito pelo meu baixo palavreado. Eu realmente lamento por ser tão baixa quando me refiro ao amor. Foram tantas dores acumuladas em um só espaço que quando esse espaço se expeli, voa violência e baixaria para todo canto. Dá uma vontade incontrolável de xingar todo desgraçado que ama. Até eu, ingênua que sou, me sinto uma desgraçada por acreditar trocentas vezes na mentira do século passado. Mas algum dia o amor vai fazer um bem danado. E quando esse “bem danado” chegar, não tenha medo do amor, pois ele te fará bem. Querendo ou não, o amor é como um ciclo: Olhar, se apaixonar, acreditar, amar, se iludir, se machucar e acreditar de novo. E assim vai… umas duzentas vezes até o fim da vida.
Mas só dessa vez.
Dessa vez eu não vou esquecer o buli no fogo. Dessa vez eu não vou esquecer do bolo no fogão. Dessa vez eu não vou esquecer de trancar a porta de casa quando sair. Dessa vez eu não vou esquecer de dar comida para o gato e para o cachorrinho. Dessa vez eu não vou esquecer de arrumar a minha cama e não vou esquecer de colocar o meu ursinho em cima dela. Dessa vez eu não vou esquecer meu horário marcado no médico e não vou esquecer de passar mais tarde na casa da minha mãe. Dessa vez eu não vou esquecer de apertar o botão de ligar quando eu for assistir algum filme. Dessa vez eu não vou esquecer qual a rima correta para aquele poema estranho. Dessa vez eu não vou esquecer do que me magoou no sábado passado. Dessa vez eu não vou esquecer de pregar na porta da minha geladeira “desapegue-se”. Dessa vez eu não vou esquecer de ouvir a razão ao invés do coração. Dessa vez eu vou fazer a coisa certa e não vou cair na sua lábia mais uma vez. Dessa vez eu vou aprender a me dar mais valor. Dessa vez eu vou esquecer de quem me esquece e vou lembrar mais de mim.
Fui viver.
Tratei de enterrar a minha preguiça debaixo do tapete, esconder a minha solidão no armário, trancar o desânimo em uma jaula e acordei para viver. Coloquei um vestido florido cor-de-felicidade e um chapéu cor de hoje-eu-estou-de-bem-com-a-vida. Desliguei o telefone, o celular, a TV, a luz, a tristeza e o choro. Liguei o meu toca-discos com a minha musica predileta e deixei o som entrar na alma. Dancei com o vento e com as palavras que esvoaçavam pelo ar. Fechei os olhos e o coração. Deixei a doçura das palavras invadirem meu ser e esqueci em um estalar de dedos de todo o resto do mundo. Naquela noite só éramos eu, a música e só. Não havia coração acelerado, pupilas dilatadas, choros baixos, poemas rasgados e pensamentos altos. Eu estava em paz e flutuando. Hoje eu acordei pronta para viver. Eu esqueci de quem me esquece dentro do guarda-roupa, troquei quem me troca feito roupa, e esqueci da ideia de quem me trata como louca. Eu resolvi matar também aqueles que me matam na vida deles. Se eu sou ou não louca, então que seja. Eu sou feliz, eu sou eu, eu sou dança, vento, poesia, poeta, dispoeta ou, simplesmente, um alguém que gosta de se sentir viva. Hoje eu fiz um limpa na minha lista de quem merece a minha palavra. A ideia é essa: desocupar lugar para que haja espaço na casa e no coração para pessoas com boa intenção. Não gosto dessa ideia maluca de chegar sem bater na porta e ir pegando tudo na minha casa. Pega comida, pega refrigerante, pega o controle da TV, pega o meu lugar no sofá, pega a minha mão, pega o meu coração e assim faz a festa. Mas hoje eu desocupei um imenso lugar no coração que mobílias velhas ali estavam e abri uma nova porta para aqueles que quiserem vir com um chocolate quente e uma flor na mão. E cá entre nós, foi melhor assim: agora eu estou leve e dançando junto com a música e com as palavras. O coração está leve e a solidão está se debatendo dentro do armário, mas eu não vou abri-lo. Hoje eu tô leve e livre. Isto que é liberdade, meu caro: livre-se do que pesa na bagagem.
Veneno em palavras.
Ele assentiu com a cabeça e virou a esquina bem devagar. Não era para ele concordar com o meu surto de mulher esotericamente apaixonada. Não era para ele aceitar de nenhuma maneira o fato de eu estar farta da sua presença. Não, não era nada verdade. Eu queria, como num filme de romance, que ele fizesse eu engolir cada maldita palavrinha dita com um grandioso beijo. A cada sílaba que caia da minha boca como chuva, eu cruzava os dedos ainda mais forte torcendo para que ele não acreditasse nelas. Uma mão de aço me agarrou o pescoço e me deixou inteiramente sufocada. Eu quis correr, chorar, desabar, desabafar e gritar “É tudo mentira! Eu o amo mais do que a mim mesma. ” e ser calada com um beijo. Mas não o fiz. Deixei que as palavras tomassem um rumo próprio e fossem em direção a quem elas queriam. E foram diretamente em direção a ele. Suas lágrimas escorreram lentamente pelo o resto da sua face e o meu coração foi sufocado ainda mais. Como doeu ver a pessoa que eu amava derramando lágrimas que não eram de felicidade. Eu quis retroceder, aperta o botão de restart e refazer aquela cena de novo, e de novo, e de novo… Eu quis não ter dito nenhuma daquelas bobagens e ter o levado para o meu apartamento depois do nosso encontro no restaurante do outro lado da cidade. Entraríamos nos beijando, tiraríamos desesperadamente nossas roupas e nossas mãos estariam incontrolavelmente apalpando tudo o que sentiam pela frente. Sua boca beijaria meu corpo todo e descendo… descendo… Chegaríamos ao ponto em que tudo começou: na cama de uma manhã de verão. Porém, nada disso aconteceu por culpa da minha atitude extremamente banal por ter atirado nele toda a minha raiva. Eu vi as suas costas curvadas de perfil quando ele virou a esquina com a cabeça baixa e com um soluço como o choro de uma criança. Eu quis ir atrás dele e dizer que estava louca, pirada, que eu o amo e que ele deveria, neste exato momento, me perdoar por ser tão estérica. Mas não fui. Fiquei parada, imóvel, e esperando que meu corpo me puxasse de volta para o apartamento de onde eu não deveria ter saído. Deixei ele ir, virar a esquina até não poder mais ouvir nenhum soluço de moço abalado. Abaixei a minha cabeça e subi até o segundo andar do meu apartamento. Me atirei na cama, fechei os olhos e continuei a ouvir o grito do silêncio me deprimindo: Você não deveria ter feito isso…
Quase...
E por um milésimo de tempo, eu desejei não ter te conhecido. Por uma questão de segundos ou até mesmo minutos, eu desejei que nada disso tivesse acontecido. Desejei não ter recebido a tua sms naquela noite, desejei que os meus pensamentos ficassem focados em outra coisa ou pessoa; desejei que a lua não tivesse tanto brilho assim. Por muito tempo, eu imaginei como seria não ter te conhecido e nem ao menos ouvido falar de você. Eu quis jogar todas aquelas cartas e lágrimas no lixo. Quis rasgar uma por uma e quis não ter implorado pela tua presença ao meu lado com lágrimas me escorrendo pela face. Pedi inúmeras vezes que você saísse ao menos por algum tempo da minha mente e do meu coração; que me deixasse em paz comigo mesma. E por um momento eu cheguei a acreditar que, enfim, estava só. Somente comigo. Mas na realidade, eu nunca estive só. Sua presença, o esboço da sua figura retardada sempre permaneceu ao meu lado. Me provocando, me colocando contra seu peito nu e me fazendo ouvir seu coração disparar repentinamente. Custou muito da minha boa vontade livrar-me desse teu cheiro hipnotizante de homem galanteador. Se é do teu interesse saber, eu nunca fui tão hipnotizada por um cheiro doce e escandaloso como o teu. Nunca tive braços tão aconchegantes como os teus ao redor do meu corpo aflorando um maldito sentimento. Ah, mas se eu não tivesse respondido à sua sms, nada disso teria acontecido. Por um grande momento, eu desejei ter uma crise de perda de memória recente. Extramente recente. Ou nem tanto. Desejei desesperadamente nunca ter visto teus olhos verdes procurando os meus castanhos. Contudo, teus olhos, teu corpo, teu calor insistiram em encontrar o meu corpo. E encontraram. Confesso, meu excelentíssimo amado, que apesar dos pesares, nada disso fora tão ruim quanto eu pensei. Me fez crescer, excelentíssimo. Aprendi a me levantar quando a areia movediça me puxa para dentro dela. Levei inúmeros tombos e levantei mais umas trocentas vezes ainda mais disposta a lutar. Teu quase-amor me fez crescer. E, por um milésimo de segundo, eu percebi que se não tivesse te conhecido, nenhum quase-amor teria feito-me crescer como o teu fez. E, mais uma vez, quase me arrependi por ter te conhecido, meu quase-excelentíssimo-ex-amado.
8 de out. de 2012
A pintora de vidas.
Não me contento nenhum pouco com a rotina. É tão chato, tão entediante fazer a mesma coisa sempre e no mesmo horário. É completamente estressante ter a mesma resposta para a mesma pergunta. É verdade que eu sonho alto, que eu vivo nas nuvens e que eu não gosto muito da realidade. Ela é tão pobre, tão sem cor. Dá vontade de roubar uma lata de tinta laranja de alguma loja e mesclar com esse preto e branco pálido que a vida de algumas pessoas têm. Dá agonia só de pensar na monotonia que deve ser a vida dessa gente. É verdade que eu gostaria de ser reconhecida como "A pintora de vidas". Já pensou que legal seria se cada um que passasse na rua acenasse para mim e me cumprimentasse? É verdade sim. Eu tenho esperança de ser reconhecida algum dia desses. Eu tenho aquela ânsia, aquele bolo que forma no estômago somente das pessoas dizerem o meu nome e logo em seguida elogiar algum trabalho meu. É sim. É verdade que eu sonho alto demais e que eu não tenho medo de cair.
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