-->

9 de jul. de 2012

Reticências...

É complicado dizer adeus à uma pessoa quando, na verdade, nós não queremos que ela vá embora. Para ser mais sincera, eu nunca disse adeus à esse tipo de gente, até porque eu nunca quis que partissem. Sempre deixo um vazio ocupando o lugar do adeus. Nunca me forcei a me despedir de um alguém que eu realmente quisesse que voltasse. Eu deixo a porta, a janela e o portão aberto caso alguém queira voltar. 
Eu nunca soube colocar um ponto final onde deveria existir um fim. Sempre completo a frase com ponto e vírgula, ou dois pontos e um exemplo, ou aspas, e até mesmo com reticências. Na página do livro onde deveria haver um ponto final no último parágrafo da folha, eu acrescento uma vírgula e continuo a minha história sem nem mesmo deixar que ela termine. Sou tão estupidamente insistente que não sei ao menos virar uma página e começar uma nova história. Sempre vivo naquele mesmo conto em que a garotinha certinha se dá mal e nunca desisto de tentar até conseguir dar um final em que ela realmente se dê bem. Mas sempre fracasso nessa minha tentativa. Viro páginas e mais páginas acrescentando mais e mais palavras sem que a história termine. É ingenuidade a minha querer dar continuação à uma história que já tem o seu fim escrito com letras douradas, eu sei. Mas afinal, quando não se quer que acabe uma história, nós voltamos e relemos ela mais umas trocentas vezes só para ter aquele gostinho do presente de novo. E é exatamente nesse ponto onde as coisas começam a machucar ainda mais. No começo da história, era tudo maravilha; no próximo capítulo, as coisas começam a esquentar e esfriar ao mesmo tempo; no próximo do próximo capítulo, existem armas e armadilhas que nos machucam cada vez que lemos. Mas não nos importamos com isso. Na verdade, até que nos importamos, mas a curiosidade e a dor é tanta que não nos aguentamos e relemos mais umas quinhentas vezes aquele capítulo para ter o gosto de poder xingar novamente aquele protagonista inútil que acabou com todo o amor. 
Até um certo ponto, as vírgulas se encaixam perfeitamente nas frases e não permitem que tenha um fim. Contudo, chega uma hora que já não se tem mais espaço na folha -e no coração- e devemos virar a página e começar um novo capítulo ou uma nova história. Mas não, pois em todo o lugar que deveria existir um ponto final… eu acrescento mais dois pontos e prefiro a reticências -mesmo que não haja mais espaço na folha.

Nenhum comentário: