Minha vida era com aquele garoto que morava longe do meu colo. Meu destino era traçado com o destino daquele rapaz de olhos cor de mel. Era o meu sonho poder tê-lo ao meu lado. Era mais do que um sonho poder beijá-lo e abraçá-lo. Passei um pouco mais de cinco meses acreditando que era ele o meu destino, o amor da minha vida. Virava noites pensando como seria o seu beijo, o seu abraço, o seu sorriso sendo meu. Chorava quase toda madrugada para tentar aliviar aquela dor que a distância me causava. Nunca adiantou chorar, mas eu acreditava que algum dia toda essa espera iria valer muito a pena. Passei meses sonhando com aquele garoto. Eu jurava para mim que eu iria aguentar toda essa distância. E eu aguentei. Aguentei tudo isso por um bom tempo, até que um dia todo o meu sonho foi por água abaixo. O meu mundo desmoronou e todos os meus sonhos e esperas foram em vão. Apesar de tudo, eu ainda acreditava que o nosso encontro poderia ser possível. Eu ainda acreditei no nosso amor, no meu amor. Eu amei por um, chorei por um e senti por um. Eu ainda sentia todo aquele amor aumentando no meu peito. Chorei por mais de meses por ainda acreditar naquele amor recíproco do mês cinco. Mas, tudo fora em vão. Desde minhas lágrimas até minhas esperas, fora tudo em vão. As madrugadas com os olhos arregalados, os choros baixinhos, os pensamentos altos, os sonhos mútuos… tudo fora em vão. Sofri por um amor tão doído que me furou o peito e atravessou o coração. Todos me perguntavam o por quê dos olhos caídos e das olheiras profundas e, como sempre, eu respondia com um “É somente o sono.” Não era sono. Era amor. Era um amor que me destruíra as esperanças. Foi um amor que durou por bastante tempo. Não compensava explicar o por quê das minhas olheiras, pois ninguém me compreenderia. […] Eu ligava o rádio para sentir novamente aquele amor me amargando a boca. E sentia. Cada letrinha que voava pela caixa de som, me trazia uma lembrança de nós. Tudo era motivo para eu me lembrar de você. Tudo sempre foi motivo para pensar em você. […]
Depois de muito choro baixo, muita lágrima ácida, muita madrugada virada de ponta cabeça, eu, enfim, consegui me desligar desse amor. E, por um momento, cheguei a acreditar que eu havia te esquecido. Engano meu. Contudo, sem querer voltar no tempo mais uma vez, eu segui a minha vida com meus passo longos e rápidos. Tropecei trocentas vezes e fui de cara na dor. Mas, por um feliz engano, eu tropecei em algo maravilhoso. Eu tropecei em algo mágico que me fez acreditar de novo no amor, na felicidade. Eu cai na frente daquele outro moço que me compreendia até na alma. Eu vi naqueles imensos olhos negros um amor que eu jamais poderia ter. E eu acreditei. Eu acreditei em mim, no amor e naquele rapaz. Dessa vez, eu não mergulhei tão profundamente. Fiquei na borda esperando o sinal verde. E quando o sinal esverdeou, eu fui com alma e com o coração. Acreditei, amei, chorei, briguei, acreditei de novo e desconfiei. Senti um ciume que jamais havia sentido. Naquele rapaz de olhos negros, eu vi aquele que me deixara com a boca amarga de amor. De repente, o tempo ficara escuro e meus olhos começaram a lacrimejar. Meu Deus, quem eu estava vendo? O moço de longe do meu colo ou o moço de olhos negros? Foi uma só confusão de sentimentos que me deixara jogada naquele chão gelado. Eu vi, mais uma vez, aquele amor passado. Eu chorei, mais uma vez, por aquele pretérito que não voltava. Doía o peito, a alma, o coração, a mente e a razão. Em cada canto que eu olhei, eu vi o meu primeiro destino. Em cada calçada que eu passei, eu via o seu adeus. Céus! Eu não fui capaz de esquecer aquele que me magoara. Eu nunca deixei de pensar naqueles beijos tão desejados. Aquele amor não havia sumido. Apenas fora deslocado do centro das minhas atenções por alguns meses. Ele voltara. Com mais intensidade ainda, todo aquele amor voltara. Como uma flecha de espinhos, toda aquela dor atravessara o meu coração pela milésima vez. Por que, meu Deus? Por que esse rapaz mexe tanto comigo? Por que esse amor tem que ficar escancarado no meu peito? Por que, meu Deus? Por que? Eu amei aqueles olhos de mel que eu nunca vi. Eu amei aquele beijo que eu nunca provei. Eu amei aquele abraço que eu nunca experimentei. Eu amei. A cada segundo, eu amei intensamente. Era amor, foi amor e para sempre será amor. Mas ninguém precisa saber. Ele, o rapaz de olhos cor de mel, não precisa saber. Então eu guardo, silenciosamente, esse amor que grita em meu peito. Eu guardo, cuidadosamente, o gosto nunca provado do teu beijo e vou viver. Vou vivendo sem medo de amar. Vou vivendo com aquele rapaz de olhos imensamente negros e sorriso no rosto e, em um canto qualquer da casa, do coração, eu te guardo amavelmente para toda a eternidade.
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