9 de jul. de 2012
Mordomia de amor.
Foi uma só bofetada e pronto! Acabei com toda a sua mordomia. “Saia já dessa casa, moço! Vá-se embora você e esse seu falso amor!” E joguei com toda a minha força suas malas por escadaria abaixo. Me fiz de forte e guerreira para parecer que eu não me importava com a sua partida. E de certa forma, eu não me importava. Fiquei de plantão na frente da porta só para te ver virando a esquina. Quando virou, eu chorei. Me desmanchei em centenas de lágrimas. Não queria parecer fraca na sua frente. Eu havia me cansado de suas mentiras, mas não havia me cansado de você. Sabe, o amor é um caos. Você ama e odeia ao mesmo tempo. […] Sentei no último degrau da escadaria e refleti o que acabara de fazer. “Céus! Eu o expulsei de casa!” Não acreditei em mim mesma. Eu não poderia ter lhe dado de mão beijada para aquela vaca leiteira. Isso mesmo, vaca leiteira! Me dava náuseas olhar para aquela sua cara de pau achando que me enganava. Mas de fato, acabava me enganando. Enquanto dizia que me amava, você mandava cartas de poesias para outra. Ah, mas quanta raiva guardei de ti! E raiva de mim também por ter acreditado naquelas suas promessas ridículas. “Ai dele se me aparecer aqui novamente!” Gritei bem alto para todo o canto da casa ouvir. “Ai de mim se aceitar aquele canalha de volta!” Gritei mais uma vez, ainda mais alto. Virei as costas e fui recolher os pedaços do meu coração. Mas como dói uma despedida! Dói muito, dói demais. Em todo canto da casa, havia uma parte de um choro. Mas como dói ter que costurar novamente o coração! Usei de retalhos e mais retalhos para remendar aquele maldito órgão insignificante e burro. Tola eu de continuar chorando por um canalha. Tola eu por simplesmente ainda pensar naqueles beijos maravilhosos que me deixavam nas nuvens e… Pára! Chega! Burra, burra, burra! E mais uma vez, burra! Muito burra por achar que ele vai ficar magoado por isso. Numa hora dessas, ele deve estar correndo para os braços daquela moça da esquina. […] Enxuguei as lágrimas, subi no salto, estufei o peito, recolhi os cacos e segui em frente. Rasguei as fotos e a saudade. A partir de agora, eu sou uma nova mulher. A partir de agora, morarei somente com o meu eu. E que se dane você, o seu amor e a sua vadia. Sou uma nova mulher. Sou um novo retalho do céu. Sou independente de você, de outros e dessa droga desse teu amor!
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