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19 de abr. de 2014

"Em meus versos
Eu te fiz acreditar
Que por todo esse tempo
Eu só consegui te amar. 

Foi um sacrifício te escrever 
Sem no mínimo chorar.
Te escrevi essas pequenas palavras
Para você voltar.

Então volta, meu amor
Vem cá me amar.
Acode o meu coração
Que nem sabe rimar."

A falta

Não sei mais usar as palavras. Não sei mais como escrever um texto. Desaprendi de como se deve usar uma vírgula, um ponto final, os dois pontos, travessão, espaço, o etc e etc. De tanto me embebedar de letras agora estou de porre. Perdi o hábito de andar pelas ruas criando um conto, arrumar a casa pensando em um versinho, entrar na fila do pão poetizando. Agora só crio preguiça - e com muito desdém. Crio diversos versos inversos perversos controversos submersos no meu universo. É assim: palavra solta de cá combinando com a frase louca de lá; não faz sentido, mas faz poesia. E é nisso que dá o porre de palavras: um eterno falatório sem coerência nenhuma mas cheio da falta de um verso.

13 de jul. de 2013

Sou poeira, cinza, abismo…

Nada mais faz sentido. Nem as palavras que costumavam me acolher em seus braços felpudos me traduzem mais. Cada gota de água que escorre na janela, cada sílaba solta no vento, cada pensamento perdido em uma dúzia de cabeças, nada me tira desse mundo desenfreadamente caótico em que eu me encontro. Tornei-me o abismo mais tenebroso e desflorido já encontrado internamente. Me perdi de mim mesma. Todas aquelas palavras que antes me acompanhavam tornaram-se cinzas da minha lastimável perda de habilidade literária. Abandonei cada centímetro das linhas que me completavam em uma só frase. Hoje sou poeira, resto de uma história inacabada. Sou tudo aquilo que palavra nenhuma consegue traduzir. Sou o meu próprio caos. Sou o meu próprio abismo. Joguei-me dentro de mim mesma.

26 de fev. de 2013

Flores. Cores. Amores.

Quer ficar? Fica, mas fica com carinho, com jeitinho. Não me venha desengonçado e todo pela metade. Venha inteiro. Venha de alma e coração cheio. Não quero nada vazio. Venha com a boca transbordando belíssimas citações e emoções. Venha de braços abertos para um abraço apertado. Quero tudo de bom transbordando, cuspindo, vomitando. Flores. Cores. Amores. Eu necessito de carinho e cuidado. Não posso deixar adentrar no meu esconderijo algo ou alguém que não me faça especial.

16 de fev. de 2013

Talvez a incerteza acabe algum dia.

Talvez a vida seja assim mesmo, sem sentido, sem gosto quando estamos sozinhos. Talvez o amor seja mesmo essa insegurança que a gente tem de perder o que nunca se conquistou. Talvez a nossa trilha esteja meio torta, meio estragada, meio mal colocada. Talvez esse não seja exatamente o nosso momento. Talvez a incerteza acabe algum dia.

Fugi de mim.

Resolvi vestir uma outra roupa com cores mais alegres e vivas. Resolvi abrir os olhos de verdade e começar a viver. Deixei a luz do sol entrar sem cerimônias e se sentar na minha poltrona favorita. Lhe servi uma xícara de chá gelado. Finalmente eu me permiti olhar para o mundo com as suas cores e suas belezas tangíveis. Simplesmente fugi das minhas vestes matinal e resolvi viver.

2 de fev. de 2013

Desabei.

As palavras — que um dia já fluíram tantas em minha mente — decidiram me deixar. Sinto uma felicidade descontente, e isso me impede de escrever. Porque… quem em plena felicidade consegue se concentrar no que se passa em mente? A felicidade é boa, sim, porém a mim é contraindicado, pois abuso das doses e fico de porre. Eu sinto falta das minha lamúrias, da minha choradeira à toa em pleno domingo à tarde. Não estou me sentindo à vontade com felicidade que me domina. Eu sinto saudade de poetizar lavando a louça, criar contos enquanto caminho sozinha na rua, tirar foto de momentos na escrita. Palavras me faltam enquanto teclo. Coragem me falta de vencer a preguiça. Sinto um entusiasmo frouxo. Um falso ânimo. Um vigor sorridente. Uma carta curinga em minhas mãos no qual não sei usar, afinal, nunca soube jogar. Quem sabe nem escrever. Sou só uma pseudo-escritora. 

19 de jan. de 2013

Até o que não tem que ficar acaba ficando.

Andei colecionando mágoas e pitadas de saudades. Tudo permaneceu intacto desde aquela noite extremamente fria em que você partiu. Ficou o seu cheiro na minha roupa, o seu gosto na minha boca e tudo mais o que eu não gostaria que ficasse. Ficou as desgraças que herdei de você. Aquela sua música preferida eu ainda a escuto. Eu sei a letra de cor e salteado. Aquela sua mania retardada de sorrir de todos e para todos passou para mim. A sua rotina de acordar cedo e tomar café quente grudou em mim. Tudo o que você deixou grudou em mim e sinto que nunca mais vai desgrudar. Tá tudo aqui, guardadinho num canto escuro e bem limpinho da casa, do coração. Te deixei na mais bela estante, na ultima prateleira envernizada e lustrosa do canto esquerdo do meu quarto. Às vezes eu volto alguns capítulos só para relembrar como aquele parágrafo foi gostoso de ser vivido. Mas logo faço questão de voltar na página certa. Não tem como esquecer um capítulo já lido e apagar aquela história ou simplesmente arrancar uma página do livro. O que tem que ficar, fica. E a desgraça do amor também faz questão de ficar.

15 de dez. de 2012

Guardião de segredos.

Todo mundo precisa dessa gente que sabe ouvir um desabafo nosso. Todo mundo sente essa ânsia de contar as novidades para um alguém confiável. É normal do ser humano precisar de um ouvinte. E é ainda mais normal muita gente não ter esse ouvinte. A ânsia de despejar as novidades em cima de alguém só aumenta. O corpo vai ficando pesado, a mente vai ficando abarrotada de ideias e o coração transborda de todo tipo de sentimento. Alguns procuram ajuda em um psicologo. Outros, na escrita. Não é necessário que ninguém entenda. O simples fato de conseguir colocar no papel o que se encontra frequentemente dentro da mente já é um alívio e tanto. A cabeça fica mais leve a cada palavra que escorre, pinga da caneta para o papel. É um dom conseguir guiar uma caneta ou um lápis sem nem mesmo saber qual a direção deve ser tomada, quantos pontos finais e vírgulas devem ser pingados e traçados. Não se sabe por onde devemos começar e terminar. Agora é a nossa mão quem irá nos guiar. Palavras e mais palavras vão sendo soltas. Umas ficam penduradas no meio fio, outras não conseguem se equilibrar e acabam caindo. É assim mesmo, uma chuva sem sentido: uns pingos vão para cima e outros para baixo. É palavra que vai, palavra que vem e palavra que se esquece de ficar. Logo, o ponto final é pingado. A melhor coisa desse nosso amigo é que ele vai saber nos contar aquele desabafo da semana passada exatamente como foi lhe contado. E o melhor de tudo: ele sabe guardar segredo.

Olhando, mas só de longe; sentido, mas só em silêncio.

Não movia um músculo sequer com medo de qualquer movimento possível denunciar essa minha paixão platonicamente absurda. Eu o via passar do outro lado da rua e sentia o meu coração ser esmagado por um alicate. Que vontade eu tinha de correr para o outro lado da rua no encontro daqueles belos olhos azuis. Que vontade incontrolável era a minha de tocar os meus lábios naqueles outros carnudos e aparentemente macios lábios dele. Era tudo vontade, tudo desejo, tudo sonho que brotava, criava raiz e se tornava independente do meu controle. Era mais ou menos assim: olhando, mas só de longe; sentido, mas só em silêncio. Um silêncio que grita, ensurdece, enlouquece. Um silêncio que implora por uma atitude.

Que seja só comigo. Sou egoísta.

Se quiser sorrir,
Que eu seja a causa do sorriso;
Se quiser pular,
Que seja nos meus braços;
Se quiser gritar,
Que seja o meu nome;
Se quiser gostar,
Que seja do meu jeito;
Se quiser rir,
Que seja das minhas piadas;
Se quiser entrar,
Que seja na minha vida;
Se quiser segurar algo,
Que sejam as minhas mãos;
Se quiser esconder,
Que seja um chiclete;
Se quiser chorar,
Que seja no meu ombro;
Se quiser cantar,
Que seja para mim;
Se quiser dormir,
Que seja comigo;
Se quiser correr,
Que corra até mim;
Se quiser amar,
Que enfim, seja eu.

Quando acontecer um amor de verdade… ele não irá embora.

Quando é amor, a gente não ama só o cabelo ou só a boca ou só o dedinho do pé. Quando é amor, a gente ama de corpo inteiro, de alma inteira. Quando for amor, o mundo inteiro não fará o mínimo de sentido sem quem a gente ama. Quando for amor de verdade, ele simplesmente chegará sem a gente perceber. Quando acontecer um amor de verdade… ele não irá embora.

Parede.

Existem algumas pessoas que te fazem querer continuar, que não te deixam desistir no meio do caminho. Elas te empurram, te puxam, te xingam, mas não te deixam ficar parado. São consideravelmente importantes. Mas têm algumas que só te empacam na vida. Não te ajudam a caminhar e nem param para ouvir um desabafo teu. É a mesma coisa que ficar parado ao lado de uma parede: Além de fria, ela também é muda e surda.

Turvo.

Nas linhas turvas do desespero, escrevo-te esta carta de palavras miúdas e trêmulas. Escrevo-te meus versos borrados com uma poça de sentimentos malucos. Engraçadas são as palavras que teimam em fugir do meu alcance. E cá estou eu, sem ideias nem palavras. Escrevendo o que vem à tona. Escrevo-te uma carta sem começo, meio, fim e coerência. Mas sinto que, quero dizer-te algo. Sinto que meu coração clama, grita, esgoela, explode de tanto amor. Sinto que palavras não são o suficiente para demonstrar-te meu amor. Preciso dizer-te que, quero-te, preciso-te, respiro-te, piro-te, amo-te, inspiro amor. Mas as palavras… bom, essas fogem do meu alcance. Dão passos longos, remam contra minha correnteza de versos, abraçam árvores, escalam até o topo e por lá elas ficam, dando-me um breve adeus. (…) De mãos abanando, cá estou eu sem ideias nem palavras. Não sei se amo-te ou se amo as palavras por descreverem meu amor. Porém, a imensa desvantagem é que elas abandonam-me e vão morar em outras linhas, em outros versos. Então eu amo você. Eu amo-te perdidamente, mas peço-te, amor, que não queira morar em outras linhas, em outros versos. Não me abandone, não. More nas minhas linhas, nos meus versos, no meu coração. Não queira arranjar uma outra escrita. De fugitivas já me bastam as palavras.

Indescritível, inconcebível, inaceitável.

Eu já tentei escrever de várias formas. Deitada, de pé, de ponta cabeça, com letra garranchada ou ajeitadinha. Já tentei descrever através de gestos, de olhares, de toques e cheiros. Já tentei deixar transparecer o quanto eu te amo para que assim, você possa perceber o quanto meu amor é imenso. Mas não dá. Eu não consigo, de nenhuma forma, descrever o quanto eu te amo. Nem a imensidão do universo seria capaz de representar todo esse meu amor por você. Definitivamente, é indescritível, inconcebível, inaceitável não poder descrever todo esse meu sentimento.

Um amor que tanto fiz para florescer hoje já não demonstra mais sua beleza cativante.

Jurei que não voltaria acontecer, que nunca mais iria me render novamente. Eu jurei pra mim mesma que o cupido nunca mais me colocaria em seu jogo. Mas, voltou a acontecer. Infelizmente, não fui forte o suficiente para me manter intacta diante de tudo isso. Temo que o cupido volte a brincar com meus sentimentos, temo que tudo que passei no passado aconteça novamente. Depois de tanto tempo, ainda trago esse medo monstruoso do amor. De voltar a amar. Não quero sofrer novamente por esse tal amor não correspondido. Quero me ver livre dessa amargura. Quero me ver livre destas feridas. Quero me ver livre disso tudo. Porque só eu sei o quão difícil foi esquecer, o quão difícil foi voltar a sorrir verdadeiramente, o quão difícil foi conviver com aquele sentimento doloroso, o quão -cacetadas- difícil foi superar aquilo tudo sozinha e calada. Não, eu não quero mais amar quem não me ama. Eu simplesmente cansei de plantar amor em um solo infértil. Na verdade, até pode ser fértil esse teu solo, mas amor nenhum germina com saúde nesse teu jardim. Meus dedos já estão aposentados de escrever sobre você e esse amor que insiste em permanecer no meu peito, mas ainda não fui capaz de entender o porque este espaço em branco me convida para escrever sobre tal correspondência incorrespondida. Exatamente isso, uma correspondência incorrespondida. Um amor que tanto fiz para florescer hoje já não demonstra mais sua beleza cativante. E por que diabos o cupido insiste em atirar suas flechas bem em mim? Puxa vida, não vê que meu singelo e bruto órgão denominado coração acabara de aposentar-se de tal extravagância que é o amor? Não vê que não quero ser, de nenhuma forma, o alvo para suas flechas encantadas? Será que sou tão atraidora de amores não correspondidos? Tudo bem que minhas cartas do passado não foram correspondidas, mas meu medo de não serem correspondidas novamente ainda me aflige. Não quero me apaixonar novamente por algo ou alguém que não saiba ver a minha necessidade por um amor literalmente correspondido. Não pretendo me entrelaçar por debaixo das cobertas com um alguém que não perceba que tenho um coração que sofreu -e que talvez ainda sofra. Quero me ver livre dessas feridas que o tempo e o seu quase-amor me causaram. Eu quero -de imediato- voar para longe onde a dor não me encontre em hipótese alguma. Sabe-se lá se isso é uma fuga do meu próprio sentimento ou se é uma fuga do amor da flecha do cupido. Eu quero de volta aquela minha vontade incontrolável e contagiante de viver. Eu quero ser feliz e sem lembranças ruins de um amor surrado. Eu quero, meu caro colega, me aposentar de escrever sobre tais recordações que me impeçam de viver uma vida inteiramente feliz. E quero, na verdade, não ser mais o alvo para o cupido.

Não dá para simplesmente fugir.

Mas não dá para gente fugir de nós mesmos. Não dá para abrir a porta do peito e sair correndo por aí. Não dá para fugir dessa tempestade de dentro da gente. Não dá simplesmente para largar tudo e deixar de ser quem somos.