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31 de ago. de 2012

A poesia que encantava...

Ela andava sempre com o rosto baixo, olhando para o chão, fitando as próprias mãos. Não encarava ninguém; não erguia a cabeça para nada. Vivia tropeçando nos próprios pés, nas próprias palavras. Se olhasse fundo os olhos de uma pessoa, poderia ver a falsidade transbordando pelos mesmos. Dizia ela que se olhasse na direção dos olhos do outro, pegaria a falsidade alheia em tamanho redobrado. Fitava o chão, as próprias mãos, os próprios trava-línguas. Não gostava de pessoas e muito menos das suas mentiras. Evitava então, ser contagiada por expressões que não existiam ou por frases nas quais fora ocultada toda a verdade. Gostava mesmo era da flor, da poesia, do poetizador. Erguia a cabeça somente para toda e qualquer beleza natural que não lhe escondia a verdade. Beijava, cheirada e falava sem medo de ser enganada. Lamentava pela miséria humana. Mas não ligava. O que lhe importava mesmo era a poesia que no papel a encantava.

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