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15 de dez. de 2012

Olhando, mas só de longe; sentido, mas só em silêncio.

Não movia um músculo sequer com medo de qualquer movimento possível denunciar essa minha paixão platonicamente absurda. Eu o via passar do outro lado da rua e sentia o meu coração ser esmagado por um alicate. Que vontade eu tinha de correr para o outro lado da rua no encontro daqueles belos olhos azuis. Que vontade incontrolável era a minha de tocar os meus lábios naqueles outros carnudos e aparentemente macios lábios dele. Era tudo vontade, tudo desejo, tudo sonho que brotava, criava raiz e se tornava independente do meu controle. Era mais ou menos assim: olhando, mas só de longe; sentido, mas só em silêncio. Um silêncio que grita, ensurdece, enlouquece. Um silêncio que implora por uma atitude.

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