19 de abr. de 2014
A falta
Não sei mais usar as palavras. Não sei mais como escrever um texto. Desaprendi de como se deve usar uma vírgula, um ponto final, os dois pontos, travessão, espaço, o etc e etc. De tanto me embebedar de letras agora estou de porre. Perdi o hábito de andar pelas ruas criando um conto, arrumar a casa pensando em um versinho, entrar na fila do pão poetizando. Agora só crio preguiça - e com muito desdém. Crio diversos versos inversos perversos controversos submersos no meu universo. É assim: palavra solta de cá combinando com a frase louca de lá; não faz sentido, mas faz poesia. E é nisso que dá o porre de palavras: um eterno falatório sem coerência nenhuma mas cheio da falta de um verso.
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