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19 de set. de 2012

Não dá para apagar uma história escrita com tinta preta.

Andei colecionando mágoas e pitadas de saudades. Tudo permaneceu intacto desde aquela noite extremamente fria em que você partiu. Ficou o seu cheiro na minha roupa, o seu gosto na minha boca e tudo mais o que eu não gostaria que ficasse. Ficou as desgraças que herdei de você. Aquela sua música preferida eu ainda a escuto. Eu sei a letra de cor e salteado. Aquela sua mania retardada de sorrir de todos e para todos passou para mim. A sua rotina de acordar cedo e tomar café quente grudou em mim. Tudo o que você deixou grudou em mim e sinto que nunca mais vai desgrudar. Tá tudo aqui, guardadinho num canto escuro e bem limpinho da casa, do coração. Te deixei na mais bela estante, na ultima prateleira envernizada e lustrosa do canto esquerdo do meu quarto. Às vezes eu volto alguns capítulos só para relembrar como aquele parágrafo foi gostoso de ser vivido. Mas logo faço questão de voltar na página certa. Não tem como esquecer um capítulo já lido e apagar aquela história ou simplesmente arrancar uma página do livro. O que tem que ficar, fica. E a desgraça do amor também faz questão de ficar.

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